MUD Valinor

Primavera Sangrenta (final)

Primavera Sangrenta (final)

Informações gerais

Título:
Primavera Sangrenta (final)
Autor:
Mîn (antigo)
Tipo:
Fan-fic ambientada no MUD (OOC)
Participantes:
Local:
Estrado
Data IC:
8º dia do Nárië de 2998 TE
Data OOC:
08/10/2005

Resumo

Oengus e os hobbits defendem Estrado dos perversos hobgoblins

***
Nota da Administração: Uma Fan-Fic ambientada no mud é como um Log OOC, ou seja, que _não ocorreu_ realmente dentro do jogo, portanto não é passível de atribuição de gp.

PRIMAVERA SANGRENTA (parte 2)

    Oengus observava a marcha dos inimigos do cume de uma pequena colina, nas proximidades de Estrado. A batalha já não o assustava, ele apenas tinha medo de que fracassasse em seu intento de proteger os pacatos habitantes do vilarejo. O tempo trazia presságios péssimos, imensas nuvens cinzentas tomavam forma no céu escuro, e o vento forte parecia varrer os ânimos de todos, porém, apesar de tudo, Oengus tinha grandes esperanças de um final feliz. Afinal, as tropas hobgoblins não eram tão grandes como Rungo havia dito, eles não deviam passar de duzentos.
    "Eles são desprezíveis", pensou Oengus, ao avistar os estandartes hobgoblins, que eram encimados por crânios e continham algo que terrivelmente parecia uma pele humana curtida e esticada. Eles traziam escudos pintados de sangue, e alguns, mais importantes, tinham cristas feitas de mãos dissecadas, pretas e com dedos em forma de garra.
    Oengus havia aprendido a contar um exército com um velho guerreiro aposentado, já calejado de batalhas, que ele havia conhecido em Archet. "É como contar frangos" - dizia ele - "Contar-te-ei esse truque, jovem aprendiz de mágica. Divida-lhes em quatro partes, e então conte apenas uma delas. Depois some outras três partes iguais a esse resultado. Logicamente, jovem Oengus, você não pode se equiparar ás minhas habilidades, por isso perdoar-te-ei caso falhe." Foi rindo que Oengus se lembrou da auto-suficiência do velho Hastad. Agora aquela velha técnica parecia ter funcionado, e, do fundo de sua alma, Oengus agradeceu ao seu velho conhecido.
    Viajando nesses pensamentos Oengus notou que o inimigo já estava perigosamente próximo, e eles atacam como loucos, clavas e maças em punho, com confiança excessiva. "Nada esperto" - pensou Oengus - "Eles nos subestimam." - Esperem até poder ver o branco dos olhos! - gritou Rungo para os poucos arqueiros que tinham (não mais de três dezenas) - Lancem uma saraivada!
    Ouviu-se o zumbido dos arcos e vários hobgoblins caíram, enquanto outros saíram com apenas uma perna ou braço espetado. Aquela saraivada havia minado a confiança dos inimigo, que já não atacava com tanto ímpeto. Os hobbits lutavam bravamente, para a surpresa de Oengus, que lançava encantamentos de coragem e habilidade, inteligência e força sobre os aliados.
    Em alguns pontos a paliçada havia sido derrubada, e hobgoblins entravam aos borbotões, enquanto bolas de fogo lançadas por Oengus arrasavam o inimigo. O mago avistou Rungo, cercado, sendo pressionado, e então invocou palavras de poder e destruição, que arrasaram tudo em volta do Thain, que sorriu, agradecido.
    Com muita dificuldade, os hobgoblins finalmente foram rechaçados, mas eles logo voltariam. Oengus estava muito ocupado, encantando espadas e machados chanfrados, e curando os mais graves ferimentos. Rungo havia levado uma pancada na cabeça, o que havia amassado seu elmo, fator que lhe dava um aspecto cômico. Com um sorriso sem alguns dentes, ele se aproximou do mago e disse:
    - Está tudo indo muito bem , por enquanto. Tivemos poucas baixas, e eles logo retornarão, mas o hobbits podem lutar muito melhor que todos nós poderíamos supor.
    - Vamos assumir as posições, e trate de se manter vivo- disse Oengus, com um sorriso nos lábios, apesar do cansaço.
    - Isso eu faço com gosto - falou Rungo e se afastou com passos rápidos, gritando ordens.
Nesse momento, ouviu-se um tropel, e na curva da Grande Estrada do Leste, avistaram Glorfindel, o senhor élfico, montado no imponente Asfaloth. Em seguida vinham cerca de vinte belos elfos montados em graciosos corcéis brancos. A investida dos elfos foi tão repentina que os hobgoblins nem tiveram tempo de resistir. Gritos de Elbereth! Gilthoniel! Eram ouvidos por toda parte, assustando ainda mais o inimigo, que agora estava reduzido a alguns poucos indivíduos.
    - Aiya Oengus! Exclamou Glorfindel, em um jorro de alegria. Essa louca alegria da matança sempre invadia a todos na batalha.
    - Aiya Glorfindel! Chegou em boa hora! - respondeu Oengus, devolvendo o sorriso.
    - Parece que estavam se virando muito bem mesmo sem ajuda...
    - Todos lutaram com bravura, e mereceram a vitória conquistada hoje.    
    Desde aquele dia, os hobbits de Estrado nunca mais foram os mesmos. Uma chama de resistência passou a arder em seus interiores, e, quando pegos em dificuldades, sempre se lembravam das sábias palavras de aconselhamento de Oengus, que os havia liderado para a vitória, juntamente com o bravo Glorfindel. A liberdade é imprescindível para a alegria de um povo, e aquele viveu feliz por muitas e muitas gerações, e os hobgoblins se confinaram em suas cavernas sujas, temendo a vingança daquele poderoso mago. Longas são as batalhas e dura é a tristeza da perda, mas não há nada que o tempo não apague.

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