MUD Valinor

O Trágico Fim dos Magos Vermelhos

O Trágico Fim dos Magos Vermelhos

Informações gerais

Título:
O Trágico Fim dos Magos Vermelhos
Autor:
Arien (antigo)
Tipo:
Fan-fic ambientada no MUD (OOC)
Participantes:
Local:
Valfenda
Data IC:
40º dia do Rhîw de 4763
Data OOC:
15/06/2005

Resumo

Um relato do triste fim dos Magos Vermelhos, e de como suas mortes abalaram as forças superiores.

***
Nota da Administração: Uma Fan-Fic ambientada no mud é como um Log OOC, ou seja, que _não ocorreu_ realmente dentro do jogo, portanto não é passível de atribuição de gp.

Era um dia particularmente quente em Valfenda. Mesmo sob as sombras de
frondosas árvores do Bosquepraça, a temperatura não era agradável. Um certo
ar pesado, tão incomum à Valfenda, pairava no ambiente.

Neste cenário encontramos uma jovem elfa de nome Feena Gaerfinnel passeando
pelas árvores e jardins. Embora de aparência delicada e compleição frágil,
esta era a Dama Vermelha, uma maga de poderes únicos em toda a Terra-Média,
temida pelos servos do mal e companheira inseparável de Hellirion
Gaerfinnel, o Escarlate.

Feena vagava tentando esquecer a distância que a separava de seu Mago
Escarlate, atualmente em missão especial e secreta para Elrond e o Conselho
Branco. Talvez alguém se pergunte o que ela faz sozinha em Valfenda, sendo
tão inseparável de Hellirion. Basta sabermos por hora que sua missão era de
cunho secretíssimo e de altíssima periculosidade; por isso Hellirion
decidiu não arriscar a vida de sua amada companheira inutilmente, e saiu
sozinho.

A saudade e inquietação corroíam a alma desta bela elfa. Talvez até mesmo
uma pontinha de tédio pela inação e falta de companhia.

- Meus amigos pássaros, por que será que ele se demora tanto? Será que algo
de mau lhe sucedeu? Não é possível isso, pois ele prometeu que voltaria
para mim; mas será que poderiam voar e me trazer notícias dele?

E assim os animaizinhos fizeram, procurando notícias de Hellirion mundo
afora.

Neste momento surge uma figura deveras estranha e um tanto quanto deslocada
em Valfenda. Um viajante coberto de pó, vestindo um desgastado capuz
amarelado que lhe escondia uma boa parte do rosto. Ele calçava um par de
botas pretas bastante castigadas e alguns trapos de um tom azul escuro
sobre as pernas. Tudo em sua aparência inspirava piedade e sofrimento.

Quando este viu Feena, disse em uma voz rouca e profunda: "Quem está aí? Não
faça mal a um pobre viajante quase cego!" E de fato, com um movimento de sua
cabeça, se tornou evidente um enorme rasgo que ia desde o topo da testa
sobre o olho até atrás da orelha esquerda. A ponta de uma navalha de folha
larga transpareceu por baixo da capa no momento em que o viajante
desastradamente exibia seu rosto mutilado.

Penalizada pela condição do viajante, ela tentou lhe ajudar mas este
parecia bastante tenso. - Procuro um par de elfos que os Hobbits do
Condado chamam de Magos Vermelhos, e me disseram que estavam por aqui!

- O que queres dos Magos Vermelhos, meu pobre viajante? Sou, de fato,
aquela que os hobbits chamam de a Dama Vermelha, e lhe ajudarei se estiver
em meu poder fazê-lo.

- Boa Senhora! Há um grande mal acontecendo às portas de Bri! Um monstro
terrível, uma criatura decaída de Melkor, está trazendo a destruição e
desgraça para toda a região! Os hobbits me disseram que vocês seriam as
pessoas a chamar para resolver a situação.

- Pelos Valar! Iremos imediatamente! Aguarde apenas que meu elfo retorne de
uma missão importante e partiremos incontinenti.

- Senhora! Talvez seja tarde demais quando ele retornar! Ai ai! Não posso
acreditar que toda minha viagem tenha sido pra nada! Falhei no último
minuto. Miserável que sou! ...

E teria prosseguido em suas lamentações se a Dama Vermelha não o tivesse
impedido.

- Acalme-se! Eu irei contigo e verei o que posso fazer.

E assim ela se foi com o viajante de volta a Bri. Em sua agitação para
partir, ela não percebeu um sorriso de satisfação maligno que passou pelos
lábios do viajante.

Por muitos meandros da floresta eles caminharam em direção a Bri. No
entanto, não se dirigiram à cidade, mas foram para um bosque ao Sul dela. O
viajante conduziu-a até uma grande casa, perdida em meio ao bosque. Grandes
arcadas imponentes pareciam querer demonstrar a força de seu ocupante.

- É aqui! Aqui vive a criatura meio-dragão que tem aterrorizado o bosque,
e ameaça mesmo a segurança de Bri! Derrote-a por nós, Senhora! Mas antes,
eu lhe peço, leve este talismã, que lhe protegerá do mau contido nesta casa!

E o viajante se jogou ao chão em uma atitude de humilde súplica. Talvez sua
prostração servisse para ocultar seu olhar fulminante e sorriso irônico.

- Farei o que me pede.

E a maga entrou na mansão procurando a tal criatura maligna, segurando um
fino símbolo feito de um material escuro, com detalhes de uma cor
acobreada, representando as mandíbulas de um cão raivoso.

Após caminhar alguns passos pela casa, ela se encontra num Grande Salão, no
qual está uma criatura diferente de tudo que já havia visto, metade homem e
metade dragão. Seu aspecto era impressionante, emanando esperteza e
inteligência de cada escama de seu corpo.

Quando Feena viu a criatura de perto não pode deixar de se surpreender e
puxar o talismã para perto do corpo, num ato reflexo de susto e surpresa.

Ao perceber o objeto, a estranha criatura, que parecia antes pacífica, se
transformou em um verdadeiro demônio, urrando e uivando horrivelmente!

- PROFANAÇÃO! MALDITA! GRAAAAAAAAAAAA

Com um grande salto, ele atacou a elfa. Apesar de sua aparência delicada,
ela sabia manejar suas magias com excelência, e em pouco tempo aquela
criatura estava horrendamente machucada e mutilada, com pedaços de seu
corpo moribundo se decompondo ao chiado agudo dos ácidos mágicos invocados
sobre ele.

"SENHOR! MEU SENHOR MANWË! FALHEI! FALHEI!" ele gritou em seu último sopro
de vida e caiu ao chão, um trapo sem vida.

Um silêncio sepulcral desceu sobre o salão. Tudo parecia estar estático.
Logo começaram a surgir druidas da floresta em resposta aos apelos do
morto.

- O que fizeste? Estás louca? Assassinar o Senhor Dragão, aquele que
protegia nossa floresta dos soldados de Melkor? Aguarde a punição dos Valar
sua maldita!

- Mas se eu...

Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, duas imponentes figuras
surgiram em um forte clarão. Manwë e Varda em pessoa estavam ali, olhando
tristemente para o corpo morto do meio-dragão.

- Emissária de Melkor! Mataste meu servidor, que mantinha esta floresta à
salvo de teus companheiros. Pagarás com tua vida.

- Mas eu não sirvo a Melkor...

Ao que Varda sussura ao ouvido de Manwë: Acalme-se meu esposo, talvez haja
algum engano...

- BASTA! O talismã do mau que carregas em tua mão é prova mais do que
suficiente. Arrepende-te de teus crimes.

Com fortes ventos o corpo da bela elfa foi arremessado contra a parede, e
ela caiu ao chão já agonizante. Apenas teve tempo de dizer "Elbereth!
Meu esposo... diga que eu............" mas não teve tempo de completar a
frase. Com um último espasmo, estava morta.

Neste último instante chega espavorido Hellirion, depois de haver corrido
muitas léguas, guiado por seus amigos pássaros. Os animaizinhos haviam
percebido algo de ruim no viajante, e lhe haviam passado esse sentimento de
que algo estava errado. Por isso ele havia se apressado tanto a alcançar
sua elfa.

Com um terrível urro de dor, ele se jogou sobre o corpo sem vida de sua
amada, tentando freneticamente revivê-la, mas em vão.

- Assassinos! ASSASSINOS! MALDITOS! Como puderam fazer isso com a criatura
mais doce de toda Arda?

- Elfo insensato, esta mulher servia a Melkor e mereceu sua punição. E
modera tua língua, ou vais fazer companhia a ela.

- Fazer companhia? Como poderia viver de outro modo? MALDITOS ASSASSINOS DE
INOCENTES! Minha elfa! Não! Não! Não! NÃO!

Ao que Hellirion, desiludido pela perda, toma de sua afiada adaga e, após
banhá-la no sangue derramado de sua amada, enterra-a furiosamente em seu
próprio coração.

Com suas últimas forças, ao sentir a Escuridão se aproximando, Hellirion
diz com uma voz carregada de ternura: "Estaremos para sempre juntos, mesmo
na morte, meu Silmaril". E expira serenamente sobre o corpo morto dela.

Chocados com a cena, os Valar se entreolham. "Será possível que ela não
era...". Neste momento, os animaizinhos da floresta que guiavam Hellirion
se aproximam dos Valar, e lhes contam tudo que viram e ouviram. Ambos
assumem uma expressão séria, e deliberam por breves segundos sobre o que
fazer.

Logo os druidas da residência do meio-dragão surgem trazendo preso o
viajante suspeito, que esbravejava para ser libertado.

- Não fiz nada! Não fiz nada! Me larguem!

- Poderoso Senhor, ele bisbilhotava a casa. E achamos isto perto dele.

Ao que exibem um pequeno chifre retorcido, símbolo de força de Melkor,
dado apenas a seus mais fiéis tenentes.

- Achamos afinal o servo de Melkor, meu Esposo - Disse Varda com um olhar
um tanto quanto reprovador para Manwë.

- Por Eru! O que fiz? - E olha tristemente para os dois corpos dos elfos e
o corpo do Senhor Dragão.

Manwë começa a entoar uma melodia de poder e restauração, invocando a Namo,
o Senhor de Mandos.

- Namo! Preciso de teu conselho e tua ajuda. Fui injusto com estes dois, e
desejo reparar o mal causado. Podes libertá-los de teus salões à pedido
meu?

Compreendendo a situação, Namo apenas assente, ao passo que também entoa
sua canção de poder e restaura vagarosamente a vida aos dois elfos e ao
meio-dragão morto.

Após uma linda, embora extenuante, melodia, Namo diz "Está feito. Eles logo
vão acordar. O mal foi reparado..."

Ao que Varda completa "... mas ainda temos uma víbora a punir." olhando
fixamente para o viajante.

- Então querias iludir dois jovens de bem a fazer teu serviço sujo e matar
meu guardião? Enganou-os a todos dando um talismã do mal à elfa. Pois bem.
Provarás de teu próprio veneno. Por mil anos estarás condenado a ficar em
Mandos, sendo torturado noite e dia pelo veneno de víboras e cobras de
toda a espécie.

Namo apenas sorri, ao passo que leva a alma do pobre diabo para seu
castigo.

Quando os Magos Vermelhos acordam, estão ambos no Bosquepraça em Valfenda.
Vivos, incólumes, nem mesmo manchas de sangue restaram. Tudo que ambos
conseguem fazer é olhar um para o outro, e trocar um longo abraço
aconchegante seguido de um largo sorriso e penetrante olhar, felizes por
estarem vivos novamente e juntos. Nem mesmo a morte pôde separá-los.

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