MUD Valinor

Quando perdoar é preciso

Quando perdoar é preciso

Informações gerais

Título:
Quando perdoar é preciso
Autor:
Mîn (antigo)
Tipo:
Fan-fic ambientada no MUD (OOC)
Participantes:
Local:
Colinas dos túmulos, Bri
Data IC:
14º dia do Ringarë de 3018 TE
Data OOC:
22/05/2005

Resumo

Oengus, treinando o teleporte, encontra algo estranho.

***
Nota da Administração: Uma Fan-Fic ambientada no mud é como um Log OOC, ou seja, que _não ocorreu_ realmente dentro do jogo, portanto não é passível de atribuição de gp.

    Eu estava na hospedaria Pônei Saltitante, recebido pelo bom Cevado Carrapicho, tentando me recuperar do desgaste mental    por ter lançado muitas magias em pouco tempo. Minha mente era um turbilhão, e eu devia estar com o estado mental realmente baixo, pois Carrapicho e Nob me olhavam com extrema preocupação.
    Eu tentava dormir, mas sentia uma dor inexplicável, que parecia vir de um mal antigo. Minhas antigas cicatrizes, que me davam um ar sério, hoje estavam vermelhas e ardendo, como se estivessem tentando me avisar de algo terrível. Fazia noites eu não dormia, pois além das dores, tinha constantes pesadelos com um ser de muitos inimigos, com um sorriso que era pura maldade, e que brandia uma impressionante espada, e que me golpeava de todos os lados, até que eu morria, o que, aliás, acontecia em todos esses pesadelos.
    Mas certa noite, fiz orações para Estë, Senhora das Fontes de Renovação, e aprece que funcionaram, pois tive uma noite tranqüila, e quando acordei pela manhã, me sentia totalmente recuperado. Pensei com culpa em como havia deixado de lado o treinamento com a magia teleporte, que iria me aprofundar nos mistérios da magia, caso eu aprendesse.
    Mas naquela manhã eu sentia uma estranha afoiteza por novos conhecimentos, e então ajustei as alças do escudo, prendi a armadura, afiei o gume da espada, e me concentrei para o teleporte, que era imprevisível, já que eu poderia cair em qualquer lugar em Arda; às vezes cai em lugares agradáveis, como Valfenda ou Condado, mas também já havia dado de cara com orcs e caido do espaço.
    Tentei várias vezes, mas quando finalmente consegui me teleportar, cai na escuridão total. Nada era visível, eu apenas sentia um fedor nauseabundo invadindo minhas narinas, o cheiro da morte, do mofo, da podridão. Acendi uma esfera mágica de luz, que emitia uma luz tênue, mas que me fez ver o suficiente para compreender que não estava em um local propício para piqueniques ou passeios a cavalo.
    O chão estava qualhado de sangue antigo, provavelmente de algo que não teve muita sorte. Os ossos espalhados formavam uma espécie de tapete macabro, e me arrepiei ao constatar que algumas dessas mortes eram recentes, e vermes se fartavam na podridão infinita e indescritível .
    Notei um rápido facho de luz logo adiante, e, juntando toda a coragem que me restava, segui em frente. Me deparei com algo aterrorizante: um enorme ser estava parado no centro de uma área circular, qualhada de corpos, e me encarava com um olhar amistoso, quase piedoso. Pela sua aparência eu logo notei que aquele olhar era pura enganação. Ele parecia um ser espiritual, e tinha um enorme elmo negro com uma cabeça mumificada à guisa de enfeite.
    - Não tenha medo, amigo, não lhe farei mal - disse-me ele.
    - E o senhor também não fez mal a todos esses pobres seres torturados? Postos na imundície para nunca mais descansar - respondi em desafio.
    -    Me chamo Tudval, e não procuro nada a não ser ajuda, ajuda de alguém bondoso, como o senhor, Oengus.
    - Como sabe meu nome sem ao menos me conhecer e me julga bondoso?
    - Sei tudo, coisas há muito esquecidas.
    - E dê um motivo para que eu te ajude?
    - O senhor libertaria essas almas do mal, Mal em que entrei há muito tempo e há muito me arrependi.
    - E como eu posso lhe ajudar?
    - Liberte-me desse corpo almaldiçoado, e serei para sempre grato.
    - E como eu posso fazer isso?
    - Me mate.
    A princípio não achei que ele estivesse falando sério, mas reparei na sua expressão, e ela era de uma dor tão profunda quanto os Poços de Angband. E eu pronunciei a clássica frase:
    - Isso vai doer mais em mim do que em você.
    Ele retirou o elmo e se expôs á minha espada, e o matei com um único golpe, um pouco acima da nuca, e antes de morrer ele deu um largo sorriso e deixou cair uma pesada chave de ferro, e no clarão que se seguiu á sua morte, notei uma arca em um canto da sala, que eu abri, e achei nela uma pequena montanha de moedas. Eu peguei as moedas, e quando havia feito isso, fiquei inconsciente, e sem notar fui transportado até a Avenida Zenite. Estranhas imagens passavam em minha cabeça enquanto eu estava desacordado.
    Fui finalmente acordado pela minha miga, Feena, que me olhava com um ar divertido.
    - De novo desacordado? O que houve dessa vez? - perguntou ela.
    Essa não era a primeira e nem a última vez que ela me salvara da morte certa, e mesmo estando a liviado e agradecido, me senti envergonhado da situação, pois eu estava coberto de sangue e sujeira, e parecia bêbado, porque tinha batido a cabeça quando fiquei inconsciente.
    - Uma longa história, para ser contada em frente a uma lareira, com um belo cachimbo, e não aqui - eu realmente não me sentia bem com o olhar zombeteiro do executor, e quando eu dei um sorriso amargo para ele, ele gargalhou e começou a brincar com um ioio.
    Naquela noite eu contei aquela história e ninguém acreditou, mas tudo bem. Afinal, aqueles pesadelos estavam errados. O destino é inexorável.


    

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