Veneno de Archet
Informações gerais
- Título:
- Veneno de Archet
- Autor:
- loganderson (antigo)
- Tipo:
- Fan-fic ambientada no MUD (OOC)
- Participantes:
- Local:
- Bri e Archet
- Data IC:
- 15º dia do Hísimë do 3018º ano da Terceira Era do Sol
- Data OOC:
- 20/05/2005
Resumo
Uma armadilha e um veneno mortal obriga um experiente ranger a invadir o covil de perigosos inimigos mortais.
***
Nota da Administração: Uma Fan-Fic ambientada no mud é como um Log OOC, ou seja, que _não ocorreu_ realmente dentro do jogo, portanto não é passível de atribuição de gp.
Como em qualquer dia comum após um treinamento árduo e uma caminhada na floresta, entro no Pônei Saltitante e saúdo o querido Sr. Carrapicho, sempre alegre e de bem com a vida. Dei-lhe 3 moedas como sempre costumo fazer.
- Boa noite, amigo! - ele saúda contando suas preciosas moedinhas.
Adentro meu quarto, e só dá tempo de checar a segurança do aposento no momento e jogar minha lâmina afiada para debaixo da cama e eu por cima dela. O cansaço não me deixa fazer mais nada, já eram altas horas da madrugada.
Parecia ser um dia comum, com uma noite de sono comum. Mas alguns passos interrompem meu sono e os sinto muito próximos. Acordo apenas a tempo de ouvir um tilintar reconhecível como de uma faca e:
- HUAHAHAHAA! MORRA!!
A criatura enfia uma adaga negra direto no meu coração.
- AAAAAHHhhhhh... ... .
Num susto levanto rapidamente e a primeira coisa que percebo é que se tratou de um pesadelo, "Estas noites na floresta me causam dores de cabeça", eu pensei. A segunda coisa que me chamou a atenção foi a porta estranhamente entreaberta, como pude notar identicamente no pesadelo.
Mas, um minuto depois eu vim a ter certeza que não era um pesadelo: por baixo de minha armadura senti uma pontada que queimava e retirei todo o equipamento dorsal para examinar. Uma tarja verde escura desenhava uma adaga bem na direção do coração.
Coincidentemente naquele exato momento começei a me sentir mal e um pouco tonto. Então fui buscar ajuda com meu antigo curandeiro Mestre Toric, que era especialista em remoção de maldições e curas de pouco alcançe.
Ao "tentar" descer as escadas o Sr. Carrapicho percebeu pelas minha condições que eu estava mal e me ajudou como se fosse uma muleta até chegar em Toric.
Ao chegar...Mestre Toric já balançava a cabeça notavelmente com tristeza.
Rapidamente fui diagnosticado como portador de um veneno poderoso e ainda não existia uma cura com antídotos conhecidos.
A única ajuda que ele pôde me dar foi lembrar que existia apenas um tipo de gente na Terra-Média que conhecia destes truques mortais: Assassinos profissionais. Isto explica a porta do meu quarto, que eu julgava impossível de se arrombar, arrombada facilmente pela fechadura que até mesmo envergonhou vários ladrões de menor escala.
Não era coisa para qualquer iniciante, foi obra de alguém poderoso.
Recebi alguns tratamentos e curas, ele pôs a mão na minha cabeça e me abençoou para que eu tivesse forças para descobrir minha salvação a tempo.
Eu sabia que era arriscado, mas minha única chance era me aventurar pelos subterrâneos escuros de Archet, onde moram estas criaturas vis, mesquinhas e sombrias.
Ao caminhar em direção ao portão leste de Bri já percebia os olhos aterrorizados das pessoas que evitavam passar perto de mim.
- Ele pode ter algo contagioso!
Quase parei para arriscar um golpe neste passante engraçadinho, mas realizei que não valia a pena, e continuei minha caminhada.
Ao chegar perto do portão, o guarda já abaixava seu visor para ver melhor a figura notavelmente pálida que vinha ao seu encontro. Ele olhou para sua espada e eu logo falei, com a garganta vermelha de dor:
- Ab..VRa! por favor.
Ele sabia que não sairia algo inteligível de alguém naquele estado, e sabia que eu precisava de ajuda para me comunicar. Apenas abriu o portão e me deixou passar. Do outro lado o outro guarda já me olhava rindo. Que tipo de gente ri da desgraça alheia?
A caminho de Archet fui auxiliado em alguns momentos por amigos da floresta, que me trouxeram algumas ervas e líquidos para que eu pudesse me sustentar. Que bons amigos!
Fiquei menos verde e pude andar mais firme após algo consistente no meu estômago, pois não tinha comido nada desde a noite anterior.
Mais revigorado consigo entrar na cidade sem ser apontado como monstro de algum tipo, mas minha preocupação durara pouco: em breve cheguei a um bueiro que parecia me convocar para abrí-lo.
Ao tentar abrir o bueiro ainda fui avisado por um passante:
- Aí existem assassinos muito perigosos! Não entre!
Apesar da má notícia eu estava no caminho certo:
- Se eu não voltar em 10 minutos, venda minha mula!
Um pouco de bom humor antes de morrer é sempre bem-vindo.
Descendo as escadas do bueiro caí em um breu que nunca imaginei que pudesse existir, e ao longe ouvi alguns sons estranhos.
- Ratos idiotas.
Parei no início do corredor substerrâneo, e me pûs a tentar analisar o pouco que conseguia ver na escuridão.
Já nos primeiros 10 metros me arrependia, pois a escuridão não me favorecia, os sons não eram de ratos e eu era tomado de socos, chutes, gargalhadas e furtos. Minha insignia iluminada não funcionava mais do que um lampião naquela escuridão que parecia mágica. Levaram minha preciosa insignia e todo meu ouro. Quase não consigo fugir, e corri de volta para a curandeira mais próxima, que perguntou, quase que rindo:
- Esteve em alguma guerra recentemente?
Eu sorri sem graça mas pensava comigo mesmo:
- Realmente, em território inimigo e inadequadro preciso usar a inteligência.
Aproveitei para comer alguma coisa e em menos de duas horas estava novamente chegando à Archet e olhando o bueiro onde apanhei covardemente, já desta vez ouvindo as conhecidas gargalhadas que subiam pelo bueiro, de quem me esperava para outra fácil tortura.
Desci novamente as escadas e quando toquei o solo, respirei um pouco para concentrar minha calma, e lembrei-me dos ensinamentos do meu treinador também Ranger: lentamente fechei meus olhos. As gargalhadas aumentavam, não pelo ridículo, mas como tentativa de aguçar meus outros sentidos. Quase errando em parte recitei algumas palavras que me aumentaram ainda mais meus sentidos. Com alguns movimentos de preparação me coloquei em uma conhecida posição agressiva de luta. Eu estava pronto como um predador que avistou sua presa.
Apesar de pronto ainda sinto as dores do veneno, e começo a adentrar cambaleando o início do salão escuro; eu já conseguia distinguir a forma macabra na escuridão. Desta vez levei a melhor e facilmente fiz minha carnificina com meus próprios punhos, que aos olhos das criaturas que ali habitavam era o improvável triunfo de um cego doente.
Já não sentindo aquele alguém por ali abri meu olhos e peguei de volta meus pertences, bem a tempo de meus sentidos voltarem ao normal. Agora com um pouco de paciência e luz artificial via o corpo de um melindro errante. Me senti ofendido, mas mesmo assim confiante caminhei em direção ao covil dos assassinos.
Minha entrada por uma passagem entreaberta não era por início permitida, mas estranhamente a passagem se abre totalmente e o guarda Wilam (como escreveu em seu braço com sangue) entendeu: me deixou entrar, como se alguém tivesse me esperando. Passei olhando-o atravessado, como se fossemos nos encontrar mais em breve.
Andando pelos corredores desertos da guilda dos assassinos eu sentia cada vez mais minha ferida pulsar e doer. A fonte de minha dor, aquela adaga maldita, estava próxima, eu podia sentí-la!
Ao entrar em uma sala logo à frente uma rajada de dor me fez ajoelhar e com isso percebi que havia uma adaga negra no chão, que desaparece logo em seguida como se fosse ilusão, mas não era!
Ainda ajoelhado percebi algumas pegadas sutis porém notáveis no chão. Rastreei as pegadas confusas de um sapato que se destacava entre os outros no corredor, era uma pegada nobre e firme, esta sola era mais nobre que as outras. hierarquia? oportunidade? poder?
As pegadas desciam mais e mais, e de tanto olhar para baixo quase fui acertado por um míssil de luz que atravessava o corredor. sorte que neste escuro consegui perceber e esquivar a tempo da ameaça.
- Quem está aí?
- S'Goral é meu nome e sou um caçador de recompensas, meu mestre me pagará grandiosamente com a sua morte, intruso!
A figura de olhos brilhantes estava acompanhado de uma bela senhorita com uma espada feita de ossos na mão.
- Meu nome é Cosira, meu querido. Você vai morrer sabia?
Mais direto que isso só as adagas que vinham em minha direção, ambos estavam incessantemente me arremessando o que tinham em mãos e eu tentava me esquivar como podia.
O pouco que eu sabia sobre esquiva em combate me foi muito útil enquanto eu tentava abrir caminho entre aqueles dois maníacos.
- A-ha! você está encurralado!
Eles estavam certos, em certo momento fiquei exatamente entre os dois e não tinha mais para onde fugir, ambos corriam em minha direção mas espertamente fiz o primeiro movimento: a poucos centímetros de ambas as adagas que vinham de encontro às minha víceras habilmente consigo segurar ambas com cada mão e servir de intermediário para que elas encontrassem o coração do outro assassino. Eles se entreolham e me olham sem acreditar na cena, mas não têm tempo nem de falar, morrem com tal crueldade de um ranger que já viveu coisa pior na vasta selva.
Eu não tinha muito por onde andar, os caminhos se acabavam e apenas tinha a chance de ir mais e mais a fundo naqueles corredores. Enquanto descia tive a chance de achar uma alcova onde pude recuperar algumas feridas de cortes recentes, e comer algumas provisões e cogumelos que coletei em outra aventura.
Logo abaixo cheguei a uma sala bagunçada, porém preenchida e revestida com ouro, onde um homem não muito forte treinava sozinho, apesar de não parecer precisar de nenhum treinamento.
Ele se movia tão rápida e silenciosamente que meus olhos quase não o acompanhavam. Apenas o fitei quando ele, com um sorriso macabro, em um milissegundo parou em minha frente e consegui reconhecê-lo como meu assassino no pesadelo da noite passada; Seus olhos eram avermelhadas e seu rosto era barbado e maltratado, por ele mesmo como se podia notar. Enfim, sua aparência doentia e gananciosa era compatível com o cenário que ele ocupava.
Ele riu por minha cara de espanto mas não abaixou a guarda, e ainda pegou uma adaga de uma caixa dourada em um canto: era a adaga negra. Ela pulsava num tom entre ébano e grafite, e a cada pulsada eu sentia mais e mais dor. Eu quase me ajoelhava de dor perante àquele assassino.
- Meu nome é Adrathom. Você é insistente, não?
- Eu ...vim para... lhe... m..matar!
- Pensei que morreria lentamente, mas terei que adiantar o serviço!
- Serviço?
- Sim... fui muito bem pago para acabar com a sua vida.
- Quem ... foi este man..dante?
- Você nunca saberá! Adeus!
Com isso Adrathom empunha a adaga e vêm na minha direção, quanta agilidade! eu não tenho muito tempo de pensar.
- Temos apenas 3 metros entre nós! O que farei? assim sou um alvo fácil!
Piorando minha situação ele simplesmente some diante de meus olhos, mas ainda consigo ouvir sua risada macabra.
Era tudo ou nada, novamente confiando em todos meus sentidos menos a visão, abaixei a cabeça, inclinei minha orelha e ouço o som de um passo a menos de um metro de mim. Com minhas últimas forças imagino um ser humanóide à minha frente, e tomo a ação de desarmar este ser imaginário.
Por sorte ou milagre senti que meus movimentos não foram desperdiçados e logo a maldita adaga perde seus atributos invisíveis e cai no chão. O grande assassino estava desarmado e lentamente ficando visível à minha frente, meio que atordoado. Já com algum sorriso pego a adaga do chão, que parece queimar como brasa. Na adaga havia uma inscrição : "VENENO DE ARCHET".
Andei imponentemente em sua direção, tentando evitar a dor imensa do veneno e do ardor na mão, e o imprensei na parede. Adrathom agora estava visivelmente assustado e indefeso, tinha sido pego de surpresa. Facilmente desenhei uma circunferência em sua garganta. Chovia sangue daquele pequeno ser, que ironia.
Ele se ajoelha já quase sem sangue...mas...
Quase no mesmo momento de sua queda também fui obrigado a cair. o veneno estava a ponto de me matar e eu já não reconhecia mais o tom da cor da minha pele.
Um momento antes da escuridão tomar minha consciência consigo visualizar uma pequena linha horizontal cortando a adaga que já havia caído de minhas mão no chão.
Não! Não poderia morrer assim...dentro de um covil de seres detestáveis! Eu preciso ao menos de um funeral digno.
Com este pensamento e alguma força divina consegui levantar com uma golfada de sangue e logo meu pensamento se virou para a adaga. Com destreza rapidamente a quebrei na altura da linha que antes tinha visto.
Precisamente! Dentro da adaga parecia conter seu próprio antídoto. Conveniente para algum caso de emergência. O assassino era, além de forte, esperto, mas para ESTA emergência ele não estava preparado.
Bebi aquele líquido verde, poderia ser até veneno, eu já não ligava e não tinha mais para onde fugir, era minha última esperança.
Mais uma vez minha consciência me falhou...escuridão...
- Ranger!
- O quê?
A voz era familiar...sim! OROMË!
- Acorde!
Que bom! algumas boas ações e devoções que pareciam não fazer sentido hoje o fazem.
Acordei mais saudavel em tempo de ouvir a porta do salão do mestre se abrindo, e outros lacaios e aprendizes gritando por ajuda!
Consegui bravamente me desvencilhar e me pôr de pé. Abri minha passagem para fora da guilda, deixando a adaga aos pés do falecido mestre dos assassinos. Eu estava saudável mas não a ponto de combater todos os militantes daqueles buracos.
Voltei às pressas para meus aposentos e descansei como nunca havia precisado descansar antes, mas algo ainda não conseguia me deixar dormir em paz:
- Quem gostaria tanto da minha morte, para contratar este assassino tão eficaz e caro?
Após algum tempo consegui dormir, desta vez sem pesadelos, e recuperei minha vitalidade de costume.
Acordei com minhas feições normais e o Sr. Carrapicho em pessoa veio bater em meu quarto para saber como estava.
- Melhor...obrigado.
O sorriso dele agora voltava e tudo parecia normal.
O destino ainda precisaria me pregar outra peça:
Peguei minha espada que tinha deixado no dia anterior debaixo da cama e fui à minha guilda ainda pensativo sobre as peças que não se encaixavam e na sala de meu mestre, me curvo e peço orientações.
- Sr. mestre, fui atacado ontem à noite, agradeço todos seus ensinamentos por me manterem vivo.
- Eu sei que foi atacado.
Meu mestre era um homem muito inteligente, mas não era vidente. Como ele poderia saber?
Pela minha cara ele logo começou a abrir um sorriso e disse:
- Fui eu que ordenei o ataque, amigo.
Minha fúria aumentava, e empunhei minha espada pensando em acabar com aquela traição.
Mas o mestre não se mexia, apenas sorria.
Eu finalmente entendi.
Ele diz:
- Lembrou-se, certo?
- Sim..."Aqui não fazemos testes...fazemos provas!"
Meu dia terrível tinha sido uma grande prova de meu mestre.
Olho para ele perplexamente, mas depois meu olhar se revigora e sinto que estou pronto como nunca para aventuras mais e mais desafiadoras.
Ele me congratula e continuamos a treinar como se fosse um dia comum, como se não houvesse acontecido nada antes. Apesar disso, ele me prometera uma grande festa na guilda em favor da minha evolução.
