Um chamado rumo aos Picos Gelados
Informações gerais
- Título:
- Um chamado rumo aos Picos Gelados
- Autor:
- thefallen (antigo)
- Tipo:
- Fan-fic ambientada no MUD (OOC)
- Participantes:
- Local:
- Art Gallery, Montanhas
- Data IC:
- 20 de Rhîm de 4762
- Data OOC:
- 15/05/2005
Resumo
Um estranho chamado arrasta dois elfos ate as montanhas geladas, frente-a-frente com um dragao de gelo
***
Nota da Administração: Uma Fan-Fic ambientada no mud é como um Log OOC, ou seja, que _não ocorreu_ realmente dentro do jogo, portanto não é passível de atribuição de gp.
Um chamado rumo aos Picos Gelados
-- O Chamado Gélido --
Estes últimos dias não tem sido fáceis para mim. Não tenho conseguido
repousar o suficiente nem realizar minhas sessões de meditação
transcendental ou transe contemplativo. Todas as vezes em que tento
repousar (uma vez que elfos não dormem da mesma maneira que os mortais),
terríveis pesadelos me assolam. Tudo que vejo é uma brancura sem fim, e
sinto uma presença maligna que me inquieta a alma. Em minhas meditações,
tudo que vejo são presas e nevascas. Nem mesmo embriagado no vinho velho
consigo esquecimento ou descanso. Minha aparência com certeza não estava
das melhores.
Neste estado, encontrei-me com meu bom amigo Vladnov, um fortíssimo
guerreiro elfo, enquanto repousava junto à Curandeira do Clã Galadhremmin.
Logo que me viu, Vladnov percebeu que algo não ia bem.
- Que te acontece, Hellirion? Você está com uma cara terrível... Pensando
nas Docas Cinzentas e na viagem além-mar, que é a perdição de todos os
Elfos?
- Ah bom amigo, antes fosse. Pelo menos eu saberia que no final de tal
viagem, encontraria repouso e felicidade. Não. Me assolam visões malignas
demais para serem descritas. Há vários dias não consigo repousar, pois
tais pesadelos me assaltam. Nem em minhas meditações eles me deixam.
Mesmo acordado, tenho presságios de gelo e morte.
- Bah, vocês magos, são muito complicados! Vamos nos divertir e você vai
esquecer essas bobagens! Vamos até a Galeria de Arte de Bri. A cidade
fica bem perto, e você vai se entreter! Depois podemos ir até a
biblioteca ou ao museu - e continuou num murmúrio: eu bem que preferia
estar numa arena de combates sangrentos, mas magos gostam dessas bobagens
de museus...
E assim fomos até a Galeria. Como Vladnov havia dito, me distraí observando
as pinturas. Muito bons artistas! Impressionante como mesmo humanos e hobbits
conseguem produzir trabalhos tão bonitos, dignos de artistas elfos.
Tudo corria bem em nossa visita, até que novamente presságios me
inquietaram profundamente. Foram crescendo exponencialmente em intensidade
e horror, e senti uma estranha força maligna me conduzindo para um canto
obscuro da Galeria. Só tive tempo de gritar: "VLAD! SOCORRO!" e caí numa
espécie de portal. Tudo que ouvi antes de ser tragado pelo portal foi a voz
de Vladnov, berrando: "PÁRA, SEU BURRO! Mas que porcaria." seguido de
alguns seletos palavrões.
Quando voltei a mim, estava em alguma montanha desconhecida, coberta com
profundas camadas de gelo e neve. Brrrrrrr! Se isto é outro daqueles
sonhos, este, com certeza, é o mais real de todos. Só então percebo Vladnov
ao meu lado, olhando para mim reprovadoramente.
-- Vagando pelas vastidões Árticas ---
- Mas que idéia de Orc foi essa? Abrir um portal pra essa porcaria de
lugar? E esse portal estúpido que não aparece do lado de cá?
- Não fui eu quem abriu aquele portal. Na verdade, forças malignas me
PUXARAM para aquele portal, Vladnov.
- Sei. Eu te VI andando pra lá!
- Acredite, não foi por vontade própria. Mas... Ei! É este o lugar de minhas
visões e pesadelos. Que Elbereth me proteja! Fui convocado para minha
morte...
- Bah! Nós mataremos a morte, se precisar! Vamos agora é achar uma saída
disso aqui.
Foi apenas graças à força de vontade férrea de Vladnov que não morri. Por
mim, exausto depois de tantos dias de pesadelos, apenas teria deitado na
neve e esperado o fim inevitável, quer fosse por congelamento quer pelas
horríveis presas de minhas visões.
Vagamos por aquela imensidão branca por várias horas, talvez dias, não sei
direito, à procura de alguma saída. Minhas tentativas de criar portais
foram em vão. Só nos restava avançar!
Em nossas andanças, encontramos diversos seres esquisitos, grandes,
brancos, peludos, com grandes presas. Pelo que me lembro dos pergaminhos
antigos que vi na Biblioteca, são chamados de Heleng-Medlin nos antigos
pergaminhos élficos, e Yeti pelo mortais. Seriam essas as tais criaturas
que me povoavam os sonhos?
Vladnov riu de minha observação. "Magos tem medo DISSO? HAHAHAHA". Os tais
yetis, de fato, não eram páreo para a força conjunta de destruição das
enormes maças de Vladnov e meus encantos cáusticos. Se era mesmo esse o
significado de minhas visões, Vladnov estava certo. Mas que bobagem, temer
essas criaturas.
-- O Fim do Caminho --
Chegamos até um ponto sem saída. A trilha que seguíamos acabava em um
caudaloso rio gelado, cujo nome se perde na noite dos tempos. Mesmo com
toda a proteção que os Elfos possuem para suportar o frio, não duraríamos
muito submersos naquela água gelada, seja por hipotermia ou afogamento. Sem
contar a crescente sensação de terror e malignidade próximos, a cada passo
dado.
- Meu bom amigo Vladnov, permita que eu te lance magias benéficas! Posso te
proteger do mal e lhe habilitar a caminhar sobre as águas!
- Bah! Meu senhor Tulkas me desprezaria se eu usasse esses truques de
festa que você faz. Mas levitação viria em boa hora. Não quero molhar
meus pés!
Rapidamente peguei alguns pergaminhos mágicos, guardados nos bolsos de
minhas vestes. Mesmo ele não querendo, preciso proteger Vladnov. Jamais me
perdoaria se algo de mal lhe acontecesse aqui. Mas esse guerreiro cabeçudo
nao vai aceitar minhas magias protetoras.
- Tome Vlad. Leia as runas encantadas destes pergaminhos, que elas lhe
concederão o dom de vôo.
- Mas todos esses 5 pergaminhos? E só para voar?
- Erm... É que... bem... você sabe... Voar é uma magia muito complexa...
Vladnov recitou as runas mágicas que eu havia escrito, e logo fortes ventos
vindos de lugar nenhum cercaram meu amigo. Poderosas proteções foram
invocadas sem seu conhecimento, tanto dos Valar benignos quanto malignos.
De Irmo, ele recebeu proteção contra ferimentos. Seu corpo se tornou
como que um templo dos Deuses. De Morgoth, uma forma de trevas possuiu seu
corpo, impedindo ataques fíisicos. De Elbereth, uma brilhante aura que lhe
protegia de ataques menores. De Este, uma cúpula translúcida que lhe
guardaria de danos mágicos. De Aule, uma benção que lhe transformou a pele
numa espécie de armadura. Vladnov estava cercado por uma aura multicolorida,
e pequenos raios e coriscos corriam próximos a seu corpo.
Vladnov disse rindo para mim: "Seu tratante! Me engambelou direitinho! Mas
que show de luzes! HAHAHAHA"
- Não fique irritado, eu lhe peço! Me sinto mais tranquilo assim, agora
que sei que você conta com a proteção dos Deuses. E agora é minha vez!
Recitei os encantos dos pergaminhos que havia dado a Vladnov e logo os
ventos e trovões voltaram a rugir, agora à minha volta. Para as criaturas
daquela montanha, todas aquelas cores e raios deviam ser algo novo, tão
acostumados estavam ao branco eterno.
Bom, agora devidamente protegidos, pude lançar sobre Vladnov e eu a dita
magia de Vôo, e juntos caminhamos (ou voamos) pelo meio do rio, à pés
secos!
-- A Caverna --
O rio corria até uma esquisita caverna. Era muito grande para ser trabalho
de algum anão. Aliás, era ENORME! Nenhum anão jamais faria tal tipo de
túnel. Vladnov me mostrou algumas marcas estranhas na parede; 4 rasgos,
paralelos, simetricamente separados em aproximadadmente 10 centímetros, de
mais ou menos 1 metro de comprimento cada. Essas marcas estavam por toda
aquela caverna. Logo ouvimos ruídos sinistros, como que de vento encanado,
regularmente repetidos a cada poucos segundos. Minhas artes mágicas logo me
revelaram uma aura vermelha como sangue emanando das profundezas da
caverna.
- Vladnov, você talvez não os tenha ouvido, mas os sábios contam uma lenda
de que um terrível dragão foi selado em uma montanha por um poderoso mago
antigo. As histórias ouvidas nos salões de Elrond o chamam de
Edlenno-Amlug, o dragão exilado. Mas os elfos que andam pela Floresta Velha
lhe dão outro nome: Heleng-Gûr, a Morte Gélida. Isso não lhe diz nada?
- La vem você com essas histórias de novo... Vamos descobrir o que tem
nessa caverna logo.
Não precisamos caminhar muito. Ao fazer uma curva no caminho, encontramos uma
enorme massa azulada, que ressonava, adormecida. Infelizmente, um estalo em
alguma das armaduras acordou o monstro! Com uma voz profunda e cavernosa,
ele disse em tom sibilante:
- Aaaah! Até que enfim esses deuses burros arrumaram mais 2 idiotas para
tentar me matar! HA HA HA HA HA HA! Vocês vão MORRER! HA HA HA HA HA
Minha única reação foi gritar para Vladnov: DREGO VLADNOV! NORO LIM! NORO LIM! -
Foge Vladnov! Corre! Corre! Mas meu corajoso amigo ficou surdo a meus
apelos e correu numa investida contra o dragão! "Por Tulkas Astaldo!" foi seu
grito de guerra!
Apenas tive tempo de recitar uma rápida prece a Elbereth:
- A Elbereth Gilthoniel o menel palan-diriel, le nallons sí di-nguruthos! A
tiro nin, Fanuilos!
Na Língua Comum, seria algo como (não que eu tivesse tempo para
transliterar minha prece durante o confronto, mas que fique para os
registros):
- Ó Elbereth, estrela cintilante dos céus, contemplando de terras distantes,
a ti eu choro agora na sombra da morte. Ó! Olhai pra mim, Toda-branca!
Logo estava também empenhado na luta com o dragão. Usei tudo que havia em
meu livro de encantos! Logo o monstro estava cego, fragilizado e
envenenado. Isso com certeza facilitou o trabalho árduo das maças de
Vladnov e de minhas invocações de ácido etéreo. No entanto, mesmo um dragão
cego, fragilizado e envenenado ainda era mais do que suficiente para
destroçar muitas e muitas cidades.
Graças à proteção recebida dos Deuses, Vladnov e eu não fomos tão
severamente atingidos pelas imensas garras de Heleng-Gûr ou por suas
possantes rajadas de gelo. Mas mesmo assim, pancadas são pancadas, e cones
de gelo, mesmo quando acertam de raspão, são ataques a serem temidos. E
como!
A luta foi difícil, muito difícil. Estávamos todos cobertos de sangue, e
vendo a morte muito próxima, uma Morte Gélida, quando dos Céus duas formas
etéreas surgiram. Logo reconheci as alvas feições da Senhora dos Elfos,
Elbereth Gilthoniel, e o rosto severo de Tulkas, Mestre Guerreiro dos Valar.
Com um forte tremor de terra e raios cintilantes, fomos levados para fora
do antro de Heleng-Gûr. Elbereth nos disse: "Vós não morrereis agora, Bravos
Combatentes! Descansai aqui, enquanto vossos ferimentos se fecham. Então
podereis completar a obra que os Valar lhes deram". Tulkas olhou para
Vladnov e comandou, com sua voz potente: "Extermine aquele dragão! E nada
de se misturar com esses truques baratos!"
Com as bençãos dos Valar, logo estavamos refeitos, e prontos a levar à cabo
nossa tarefa, agora um peso esmagador sobre nossas existências. Matar um
Dragão! Um Dragão de verdade! Os Valar não podiam ter escolhido outra coisa?
-- A Morte do Dragão --
Não fosse a coragem inaudita de Vladnov, acho que não teria tido forças
para enfrentar o dragão de novo. Me despedi mentalmente de todos os meus
bons amigos de Bri, meus companheiros de Academia, e de todas as minhas
posses materiais. Um triste Namárië a todos. Talvez nunca mais saia da
caverna e vire mais um enfeite no pescoço do dragão.
Sob a direção de Vladnov adentramos o covil da fera novamente! Desta vez,
mais bem preparados, inclusive auxiliados pelo fato de que o dragão foi
mais lento em perceber nossa chegada, visto estar cego.
Novamente a grande força de Vladnov foi posta em ação, e nas carnes da fera
retalhadas pelos golpes de Vlad, eu lançava minhas rajadas de ácido. Talvez
pela aparição dos Valar, talvez por algum outro motivo, o dragão parecia já
bastante enfraquecido. Com mais alguns minutos de luta, em que ficamos
cobertos de sangue novamente, o dragão tombou morto. Grande foi a sua
queda. Um grande tremor de terra abalou toda a caverna, e as lanças de gelo
penduradas no teto começaram a cair. Ó sorte! Exterminar o Dragão e acabar
morto pela caverna que lhe acolhia!
Novamente os Valar interviram, e nos levaram a um lugar calmo e aprazível.
Elbereth então nos explicou o motivo de nossa jornada. Pelo que pudemos
entender, os Valar estavam proibidos por Eru de interferir diretamente ou
atacar o dragão, que já estava selado na montanha. Apenas poderiam escolher
campeões dentre os mortais ou dos Primogênitos. O Dragão precisava ser
punido pela zombaria e profanação contra os Valar. Muitos heróis já haviam
morrido tentando levar à cabo essa missão, até que os Valar viram os nobres
feitos do Guerreiro Vladnov e o conhecimento do Mago Hellirion.
-- Epílogo --
Agora o Dragão estava morto, a Honra dos Valar estava limpa, e o dragão
nunca mais representaria ameaça ao povo da Terra-Média. Elbereth me lançou
um doce sorriso de aprovação, que me compensou de todas as dores e ferimentos
recebidos no combate, ao passo que Tulkas disse com sua voz poderosa a
Vladnov: "Muito bem feito, Vladnov! Você é verdadeiramente meu seguidor! Um
dia ainda ascenderás à Valinor, como Guerreiro Glorioso! E você, mago fracote,
também nao foi mal. Acho que ainda há esperança para (humpf) sua laia..."
Com um pequeno clarão, os dois Valar sumiram, nos deixando na praça de Bri.
Estávamos bastante feridos, mas profundamente contentes pela sensação do
dever cumprido e do favor dos Valar!
