MUD Valinor

Uma busca insólita na floresta

Uma busca insólita na floresta

Informações gerais

Título:
Uma busca insólita na floresta
Autor:
thefallen (antigo)
Tipo:
Fan-fic ambientada no MUD (OOC)
Participantes:
Local:
Floresta Velha
Data IC:
10 Yavannie 3018
Data OOC:
06/05/2005

Resumo

Uma viagem a floresta a procura do Ouro dos Goblins

***
Nota da Administração: Uma Fan-Fic ambientada no mud é como um Log OOC, ou seja, que _não ocorreu_ realmente dentro do jogo, portanto não é passível de atribuição de gp.


Uma busca insólita na floresta


Eu estava na taverna do Pônei Saltitante outro dia, bebericando meu vinho e
meditando sobre as possibilidades financeiras dessa vida de estudante de
magias, quando alguns jovens hobbits entraram no salão.

Pelo que pude entender, eles precisaram ir até a Floresta Velha coletar
algumas ervas, necessárias à curandeira de sua vila. Mas parece que haviam
muitos problemas na floresta, e ouvi algo a respeito de goblins salteadores
e elfos.    Brrrrr!    Criaturas estúpidas e violentas, esses goblins. Bando de
imprestáveis é o que eles são. Me perguntei o que elfos estariam fazendo
perto de seres tão desprezíveis...

Procurei ignorá-los, mas logo algumas outras palavras captadas de sua
conversa despertaram meu interesse.

- Meu avô Mingo disse que esses goblins já saqueiam a redondeza a muitos e
    muitos anos; desde que ele era pequeno já se ouviam historias de
    salteadores goblins...

- Um primo meu da Vila dos Hobbits disse que já viu na floresta goblins
    carregados de ouro, indo para as profundezas da floresta!

- Puáááááá, duvido. Se ele tivesse mesmo visto algo de goblins estaria morto
    agora...

- É que ele estava escondido, né seu bobo?

Riquezas? Pilhagem? Saque acumulado por anos? Goblins? Como eu dizia,
incríveis criaturas esses goblins... Maravilhosas obras da natureza...
Especialmente para um mago como eu que gosta das incríveis propriedades
mágicas de peças de ouro... Especialmente as peças de ouro ganhas sem
trabalho são dotadas dessa força mágica... Acho que vou precisar
investigar... Tudo pela ciência, claro!

Mesmo sendo apenas uma jornada com fins ...ahem... científicos, preferi não
alardear minha visita até o covil dos goblins para o bom povo de Bri. Seria
realmente desagradável se as pessoas soubessem da origem de minha futura
riqueza a ser conquistada. É, melhor sair quietinho... Nem mesmo o dono da
estalagem deve saber que não estou mais aqui... Fiz alguns passes
mágicos que Mestre Dormick havia me ensinado, e caminhei calmamente até a
porta da taverna. Aparentemente, ninguém percebeu meus movimentos. Mestre
Dormick, lhe devo essa!

Pela manhã, bem cedo, me preparo para minha jornada. Algumas rápidas
averiguações nos mapas da biblioteca me fazem pensar se essa historia de
goblins nas profundezas da floresta é mesmo verdade, uma vez que há poucas
referências a essas criaturas e nenhuma localização conhecida ou aproximada
para seu covil.

Ao sair dos portões, penso cá comigo: "Quando voltar, serei tão rico que
comprarei meia Bri!" e sigo feliz meu caminho pela floresta.

Mas que coisa! Achar os rastros desses goblins na floresta não é tão fácil
quanto eu pensei! Felizmente, encontrei um bom homem, um lenhador da
floresta, que pode me dar algumas indicações da direção na qual procurar.
Ele não parecia nada feliz com a vizinhança dos goblins, e decidiu me
ajudar, me concedendo um lugar para passar a noite em sua cabana.

- Goblins! Argh! Coisas malditas é o que eles são! Ladrões! Assassinos!
    Vermes! Se eu fosse alguns anos mais novo, eles iriam ver o que é bom!
    Mas o que você pretende fazer por aquelas bandas? Não me diga que você é
    amigo dessas coisas nojentas?

Neste ponto, o lenhador deu uma olhada rápida para seu machado, colocado
bem ao alcance de sua mão...

- Muito ao contrario. Pretendo encerrar esse reino de maldade dos goblins.
    Vou acertá-los com poderes cósmicos tão potentes que vão ser necessários
    vários dias para que se recolham todos os pedacinhos!

- Ah bom! Melhor assim.

Só não lhe contei o real objetivo de minha "visitinha" aos
goblins, mas isso são apenas detalhes...

Com as indicações do lenhador John pude chegar até as proximidades de uma
parte bem escura da floresta. As árvores em volta pareciam... estranhas...
como se estivessem maquinando algo, ou me olhando com desaprovação. Após
alguns minutos, consigo perceber que o alvo de sua desaprovação não era eu,
mas alguma coisa escondida entre elas, que parecia estar me espreitando; um
goblin! Um patético espião goblin! "Hmmm", pensei, "preciso dar um jeito de
fazê-lo me dizer aonde fica o esconderijo do tesouro..."

Essa foi uma boa hora para me lembrar do que havia aprendido lendo os
pergaminhos e livros que estavam na biblioteca, a respeito das artes e
conhecimentos de encantamento e hipnotismo de um mago corrupto, um tal de
Rasuan, Massuran, ou algo assim...

Com algumas rápidas palavras cabalísticas e um suave fluxo de energia
mágica, o goblin está mais do que disposto a colaborar comigo. As
informações que ele me dá são de que uma companhia de guerreiros elfos
vindas de Valfenda tentou assaltar aquele lugar, mas que os goblins
conseguiram rechaçá-los. Por algum artifício desconhecido aos goblins, os
elfos conseguiram arrombar a porta de entrada e tomá-los de surpresa. Como
dizem os Hobbits, criaturas maravilhosas, os elfos! Me despeço de meu
"amigo" goblin solicitando que ele se jogue do topo da arvore mais alta de
cabeça nas pedras pontiagudas. De fato, aquele mago corrupto sabia das
coisas quando pesquisou e desenvolveu artes de hipnose! Muito úteis!

Com algumas buscas nos arredores, encontro talvez o único sobrevivente da
companhia de guerreiros enviada de Valfenda. O elfo chora desconsoladamente
por seus irmãos e amigos que morreram na incursão contra os goblins. Depois
de vários minutos soluçando, ele me diz que os senhores de Valfenda
imbuíram uma chave com os poderes necessários para abrir a caverna dos
goblins. Finn não parece nem um pouco disposto a me emprestar a chave
mágica, e muito menos inclinado a me acompanhar ate o fatídico local para
abrir a tal caverna. Preciso apelar novamente para meus poderes de
"persuasão" para que Finn me acompanhe até a caverna. Tem horas em que eu me
odeio...

Dentro da caverna dos goblins, a escuridão é total! Mas que grande sorte
que a divina Elbereth ouviu meus rogos e me concedeu uma pequenina estrela
dos céus para iluminar meus caminhos! Infelizmente a visão dentro da
caverna não é de fazer jus à beleza cintilante de minha estrela sagrada
recebida de Elbereth.

Ai! Caí logo num posto de guarda goblin! Entendo o suficiente de sua língua
horrorosa para saber que eles não vieram me dar boas vindas. Rápido! Rápido!
Tenho que pensar rápido! E invocar mais rápido ainda! Fogo! ISSO! FOGO!
Bolas de fogo!    Dezenas delas! Acho que esses goblins nunca viram sua caverna
asquerosa tão iluminada!

Alguns cortes mais ou menos sérios são a soma desta pequena aventura com os
guardas. E, claro, a pilha de carne de goblin queimada... No futuro
aprenderei a ser mais cauteloso.

Me aprofundando mais na caverna, encontro outros postos de guarda goblins.
Mas agora, sou um mago preparado. Novamente minhas bolas de fogo mágicas
entram em ação, e mais goblins perdem suas vidas. Se não fossem meus
ferimentos me lembrarem que isto não é um piquenique, eu até poderia me
divertir. Ai! Isso doí!

Não bastasse essa caverna infecta, ainda preciso me esgueirar por passagens
que parecem até esgotos, só que muito mais fedidos. Por todos os Valar e
Maiar! Essas criaturas não respiram? Não sentem esse cheiro repugnante?
Apenas a idéia do ouro a frente consegue me acalmar...

A caverna finalmente parece ficar mais limpa. Devo estar chegando perto de
minha meta... Uma porta imponente está no fim do corredor, protegida por
alguns guardas. Consigo decifrar as palavras "Sala do Rei" sobre a porta.
O que seria de mim sem minhas bolas de fogo...

Após as formalidades com os guardas, entro no salão, que está mais iluminado
do que o resto desta caverna horrorosa. Um goblin esta sentado num feio
trono de pedra; deve ser o rei dessa corja...

- Oh Rei dos Goblins! Aqui estou, vitorioso sobre teus guardas! Vossa vida esta
    em minhas mãos! No entanto, sou razoável. Se me compensares adequadamente
    por meus dissabores, poderás viver! Bem sei que tu tens muitas riquezas e
    que podes te separar delas em troca de tua vida!

O Rei Goblin simplesmente olhou para mim com uma expressão vazia, e começou
a rir, e, sem avisos, partiu para cima de mim, gritando em uma muito
mal-pronunciada Língua Comum: "Ouro! Goblin! Matar!"

A luta foi difícil. Aquele maldito goblin era bem habilidoso com suas
armas. Por diversas vezes pensei que havia chegado minha hora. Por fim meus
feitiços fizeram efeito naquela "coisa", e logo ele estava morrendo. Argh!
Como doem essas feridas! Felizmente, está tudo acabado e posso me apoderar
de todo aquele maravilhoso ouro!

Vasculhei todo aquele salão, e as salas ao redor. Até achei uma pequena
sala atrás daquele trono feio, mas... tudo vazio! Aonde está "meu" ouro? O
infeliz ministro goblin que estava escondido atrás do trono ainda teve
tempo de me dizer que o Rei havia consumido toda a riqueza em festanças e
na confecção de seu cetro, que, segundo a crença Goblin, estava imbuído
de propriedades mágicas. Mas que bela porcaria! Esganar esse velho
goblin não foi nem um pouco reconfortante em comparação com a "minha"
riqueza perdida.

Mas que viagem longa de volta a Bri! Parecia ainda mais longa porque eu
estava desprovido das riquezas esperadas, apenas trazendo como troféus os
objetos do Rei Goblin, que ainda poderiam valer algum dinheiro no Mercado
de Bri...

O guarda que me abriu o portão olhou para mim como se eu fosse algum
fantasma ou aparicão... Tudo bem que minhas vestes estavam rasgadas e
sujas, com algumas manchas de sangue que não pude limpar na estrada. Meu
aspecto também não deveria ser dos melhores, ferido como estava. Mas também
não era pra tanto...

O guarda ficou alguns instantes perplexo e logo gritou a plenos pulmões
"ELE VOLTOU! ELE VOLTOU!" Em poucos minutos, parecia que toda a população
de Bri estava a minha volta. Todos olhavam com espanto o Cetro de Poder e o
Manto Real do Rei Goblin em minhas mãos. Logo fui carregado como Herói
triunfante por toda Bri, enquanto as pessoas gritavam "VIVA! OS GOBLINS
ESTÃO ACABADOS! VIVA!"

Parece que o lenhador John espalhou na cidade a história de minha incursão
à caverna dos goblins, e todos já me julgavam dilacerado dentro da barriga
de alguma daquelas criaturas nojentas.

Ainda por um bom tempo o povo me aclamou herói pela minha façanha de ter
matado a sangue-frio dezenas de goblins e pilhado tudo de valor que eles
tinham... Acho que nunca vou entender esses humanos... Como dizem os
sábios, a diferença entre o ladrão saqueador e o herói é meramente
contextual...

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