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Uma Canção de Saudade

Uma Canção de Saudade

Informações gerais

Título:
Uma Canção de Saudade
Autor:
Kandake
Tipo:
Obras IC em geral (Livros, poemas, músicas e cartas)
Participantes:
Local:
Archet
Data IC:
4o dia do Ringarë do 3104o ano da terceira era do sol
Data OOC:
27/07/2012

Resumo

Kandake Belegram McDermont, em uma de suas viagens através da grande estrada do leste, encontrou uma folha de papel flutuando ao sabor do vento. Ao lê-la, descobriu ser uma página arrancada de um livro escrito por um bardo desconhecido e tal capítulo mostrava, através de olhos contemplativos, um momento de sua própria vida. Eis o que continha aquela página.

Eu estava deixando a cidade de Archet. Admito que o fazia com um certo
prazer. A cidade não era de todo bela, com todas as suas altas torres e
fortificações. Entretanto, para um frágil homem como eu, era sim um
lugar deveras atraente. Lá, provei do melhor vinho, dormi com as mais
belas mulheres, comprei os melhores produtos feitos pelas mãos mais
hábeis. Sim, um bom lugar, mas demasiado tentador. Estava hospedado há
dias na hospedaria Sono Serrado e, se logo não partisse, perderia mais
tempo por aquelas bandas. Ainda havia tanto para explorar! Pretendia
rumar ao sul até o caminho verde e...
Bem, eis que me desvio da história que desejo contar neste capítulo. O
resto, que fique para outro! Malditas ideias que fluem depressa
demais... Mas o que está escrito, está escrito. Que posso fazer além de
retomar a história?
Como eu narrava, estava deixando a cidade de Archet. Para cruzar os
portões, era necessário caminhar por uma parte da Rua dos Ofícios, uma
rua movimentada pelos negociantes da cidade, onde havia um pouco mais de
paz. Decerto que, não tão longe, um edifício repleto demais de barulho e
confusão se encontrava e que ali, naquele espaço tranquilo, havia um
homem, se bem me lembro, chamado Umaro, desconsertando qualquer um que o
encarasse. Deveria ser uma espécie de guarda das redondezas, Mas era sim
um homem demasiado assustador. O que garantia a tranquilidade eram
algumas árvores, uma movimentação um pouco menor, a ausência, mesmo que
parcial, de ruídos incômodos. Parecia haver uma presença ali que
ordenava silêncio a quem passasse.
Pois, eis que havia! Tal presença é o motivo desse capítulo. Pois não
foi a pouca paz ou o homem assustador que me prendeu em Archet por mais
alguns minutos, ah não! Foi, pasmem, caros leitores, uma elfa! Sim!
Por ali, jaziam alguns bancos de pedras azuis, ao redor de uma fonte de
água cristalina. Sentada em um dos bancos, estava ela... Não posso
dizer,
com precisão, sua altura; os cabelos, negros como a noite e finos como a
tênue linha entre o amor e o ódio mortais, esvoaçavam ao toque da mais
leve brisa que soprava. Seu rosto, anguloso e bem desenhado, estava
tristonho, tal como os olhos perdidos no horizonte. Devo minhas noites
em agradecimento aos valar por ter visto aqueles olhos! Me lembraram um
céu tempestuoso, cuja iluminação provém de raios violentos. Senti no
fundo de minha alma que aquela elfa, sua idade oculta a mim, carregava
batalhas sobre os ombros, tamanha força de seus olhos! Seus dedos, como
pude notar, eram compridos e ágeis, também muito hábeis, pois ela tirava
doces e melancólicas notas de uma harpa.
Aquele som preenchia o ar, se harmonizava com o canto dos pássaros em
seus ninhos nas árvores próximas e parecia dizer: ouçam-me! E foi o que
fiz: me sentei no banco de pedras azuis e ouvi.
Então, a elfa juntou sua voz à melodia. Era uma voz tão bela, que nem
sei como descrever: era levemente grave, só o suficiente; ainda assim,
leve, parecia flutuar. Hipnotizante até, eu diria. Carregada de
tristeza, a voz obrigou-me a fechar os olhos e mergulhar na canção,
sentir com cada fibra a dor que aquela elfa sentia.
Agora, tentarei escrever aqui as doces palavras que ouvi naquela tarde.
As palavras foram proferidas na língua natal dos elfos de Imladris, de
forma que não sei como traduzi-la, de modo que rime. Ainda assim,
escreverei os versos, para que todos deleitem-se com um pouco do meu
deleite. Pois, naquela tarde, na cidade de Archet, a bela elfa cantou
assim:

Muitas milhas eu caminhei
Cansados estão meus pés
Cerrando-se estão meus olhos
Partido está meu coração
Quanto vi, quanto ouvi!
Quantas lembranças carrego em minha mente
Vi batalhas, tirei vidas
Ceifei almas, derramei sangue
Derramei lágrimas, oh! Minha mãe!
Estou cansada, quero descansar
Quero sonhar com terras longínquas
Por onde caminhei e senti paz
Me lembro dessas terras muito bem
Aqui, em meio a dor, de lá sinto saudades
Lá, contempla-se colinas e vales, canta-se a eles
Aqui, olha-se atrás e adiante, para não tropeçar em outros pés
Lá, ouve-se a canção dos rios, dos pássaros
Aqui, canções são sombras de felicidade distante
Lá, inspira-se o aroma das flores perfumadas
Aqui, respira-se o ar que ergue poeira do chão
Lá, bebe-se água cristalina dos rios
Aqui, o vinho rega as noites vazias dos homens
Lá, os netos cantam a felicidade de seus avós
Aqui, os filhos enterram seus pais, mal dizendo-lhes adeus
Aqui é onde o dever das batalhas me chama
Lá é para onde quero voltar um dia
Pois lá está a felicidade
Que para cá, desejo que venha um dia
Pois quando sangue eu não mais derramar
Derramarei lágrimas de alegria
E por fim, para lá, ei de rumar

Quando ouvi os últimos acordes da harpa, despertei do transe em que
havia sido submetido e abri os olhos. Outros haviam parado para ouvir e
estavam emocionados. Só então que notei o marejar de meus olhos. Pisquei
para espantar as lágrimas e, com a canção da bela elfa desconhecida
ecoando em minha mente, abandonei Archet. Parti sem saber seu nome;
parti sem dizer-lhe adeus. Mas parti com sua canção, sua tristeza e sua
dor. Me peguei rezando aos valar para que, um dia, ela pudesse,
realmente, regressar ao lugar que tanto amava.
Sei, caros leitores, que vocês gostariam de saber mais sobre essa elfa.
Tudo que pude descobrir de um mercador, dias depois, foi seu nome:
Kandake, filha de alguém que não se sabe quem, pertencente à família
Belegram McDermont, por direitos de união. Soube também que muitos a
chamam de Guardiã. De onde ela veio? Para onde ela vai? Não sei. Sei
apenas que gostaria de vê-la mais uma vez.

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