MUD Valinor


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Selkie, o Garanhão e um Cavaleiro Misterioso

Selkie, o Garanhão e um Cavaleiro Misterioso

Informações gerais

Título:
Selkie, o Garanhão e um Cavaleiro Misterioso
Autor:
Selkie
Tipo:
Fan-fic ambientada no MUD (OOC)
Participantes:
Local:
Estrado
Data IC:
1º dia do Nárië do 2090º ano da Terceira Era do Sol.
Data OOC:
17/05/2011

Resumo

Após ser prisioneira dos nojentos hobgoblins, Selkie é libertada por um galante e misterioso cavaleiro que lhe deixa bastante confusa. Esta é uma fanfic (um log ooc e não gerador de glória)

Em uma de minhas exploradas pela Terra Média, conheci Estrado, um agradável lugar habitado por simpáticos hobbits. Só não sabia dos perigos que se encontravam debaixo daquele solo.

Um belo dia, quando em visita a uma hobbit amiga, esta me pediu para buscar uma peça de cozinha na toca dos cristais, errei o caminho e no lugar de entrar ao sul no beco, fui para o norte caindo em uma oficina de obras. O marceneiro que lá estava, me pareceu totalmente diferente dos demais. E numa breve conversa, constatei que se tratava de um traidor. Ele percebendo minha desconfiança me atacou e nem titubeei. Com um de meus rápidos giros, o pontapeei no
queixo, deixando-o caído no chão.

Ao fitá-lo desacordado, descobri uma passagem que conduzia para baixo. Meu ímpeto explorador se fez mais forte e segui meu instinto. A passagem levava para uma sala onde havia uma mesa e algumas ninharias no chão. Um velho hobgoblin de óculos contava dinheiro e não percebeu minha chegada. Gritos desesperados chegavam até mim vindos e trás de uma câmara. Ataquei o velho hobgoblin sem que ele pudesse imaginar de onde partira o golpe. Sem demora, abri a câmara e adentrei. Fiquei enojada com que vi.

Enormes e quase frescas carcaças e peles estavam penduradas nas paredes daquela câmara macabra. Ao olhar para elas, não se percebia nenhuma evidência de decomposição. Diversas tochas ao longo das paredes davam-lhe uma aparência mais iluminada. Um alto trono de granito bruto esculpido sustentava O rei hobgoblin de aparência insana, cujos os músculos moldavam seus trajes, e dois guardas de elite hobgoblin mostravam suas presas, enquanto preparavam-se para me atacar. Enquanto olhava para aqueles guardas ameaçadores e para aquele rei, sentia náuseas.

A terra tremeu como conseqüência de outra experiência mal sucedida. Sei que não conseguiria vencê-los, mas os gritos vindos do outro lado da porta eram de algum inocente que me dava forças para fazer algo. Eu não poderia permitir que um inocente sofresse nas mãos daqueles seres horrendos. Então, puxei minha adaga e girei pra cima de um guarda, enquanto jogava os pés na cabeça de outro. O rei, que a princípio me pareceu um covarde, se lançou em cima de mim me subjugando com seu peso. Fiquei sufocada e senti meus pulmões esvaziarem-se. Os gritos iam ficando cada vez mais longe e eu desfalecia.

Vi com o canto do olho que o guarda o qual eu chutara já estava se pondo de pé. Tentei me mover, mas o rei era pesado de mais e eu estava sem ar. Comecei a perceber, em um desespero, que meus sentidos estavam falhando, fosse pelo peso do rei, fosse pelo odor que emanava dele. Senti meu corpo flutuar e constatei que tudo havia terminado, e para meu total horror, eu havia falhado em salvar uma vida inocente.

Muito tempo deve ter se passado, pois acordei em uma cela fechada e abafada e ao
me tatear, notei que meus machucados estavam, apesar de sujos, cicatrizando. Procurei por meu cantil, mas meus movimentos estavam limitados por uma grossa corda que me prendia. Tentei abrir a boca, e senti um pano fétido envolvendo-a. Eu só podia respirar diante da minha situação. Estava suja, fraca e sem água em uma cela. Tentei puxar pela memória, mas encontrava-me debilitada de mais. Me esforcei por relaxar e fazer exercícios de respiração.

Aos poucos comecei a ouvir os sons que me circundavam do lado de fora da cela. Pude ESCUTAR um paço contínuo que imaginei ser de algum guarda. Mais distante consegui PERCEBER murmúrios sofridos. Certamente de outros PRISIONEIROS. Em algum momento eles deveriam vir trazer água. Será? Muito tempo se passou e devo ter adormecido. Quando acordei, tudo estava quieto de mais. Não havia o som dos paços do guarda e nem tão pouco os sofridos murmúrios. Mas eu ainda estava na mesma cela, disso tinha certeza. Vez ou outra pensei escutar sons de trote de cavalos, mas sabia que estava delirando. Me encontrava em uma espécie de câmera
lenta onde o tempo não tinha lugar, onde tudo se restringia apenas entre o meu ser e a dor. Minha cabeça começou a doer e dessa vez tinha certeza, estava ficando louca. O barulho de patas de cavalos pareciam estar galopando sob meu crânio. Não, eu não podia me entregar. Uni as últimas energias que tinha e respirei fundo para depois me concentrar em apenas inspirar e expirar, como havia aprendido na academia.

Pouco a pouco as coisas foram entrando em foco e realmente, havia um cavalo ali perto batendo ferozmente com as patas no chão. E não só isso, ouvia agora aquele
barulho que tão bem conhecia, de corpos se batendo, espadas se encontrando e gritos de ódio e morte. Uma violenta batalha estava sendo desencadeada do lado de fora. Fiquei atônita. Não tinha muitos amigos que pudessem vir me salvar e só pude supor o pior, estavam brigando por minha captura. Fechei os olhos e pensei na única coisa que não gostava de pensar: em minha família que jamais cheguei a conhecer.

Como seria meu pai, minha mãe? Eu teria irmãos? Quantos? De onde eu vim e o que significava aquela intrigante estrela em minha testa? Acho que chorei um pouco e em um último suspiro, me entreguei de corpo e alma a uma sensação de impotência e dor. Desfaleci novamente, e quando acordei, estava suada, com muito frio e banhada em lágrimas. O som da luta havia cessado e fiz um esforço
monstruoso para que minha respiração não chamasse atenção de ninguém. Jamais morreria covardemente sem lutar, mas sei que aqueles seres não me dariam chance de barganhar minha vida em uma batalha. E tão pouco serviria de comida para algum orc. Queria morrer ali, quieta e sozinha no escuro daquela fétida cela.

De repente pensei ter escutado fortes paços que se aproximavam. Devo quase ter virado gelo e não pude evitar que meus dentes batessem. Não tinha a menor força para controlar meu nervosismo, e muito menos tempo. Com um estrondo a porta da cela veio abaixo e eu me encolhi em um canto. Um longo silêncio se fez. Sentia a presença de um cavalo e de alguém, mas não queria abrir os olhos para ver. Se fosse para morrer assim, que fosse logo. Meu pavor não me permitiu sentir a aproximação, e quando me dei conta, alguém passava um lenço em meus cabelos. Uma forte mão, porém gentil, tentava erguer meu rosto, o qual eu me esforçava em
manter abaixado. Em algum lugar, uma rouca voz entoava um cântico antigo. Senti algo gelado entre minha pele e as cordas.

Alguém estava me libertando, mas pra quê? Não tinha nem um resquício de energia para me defender e só pude enviar pensamentos a Estê para que me amparasse. Sei que nunca fui muito responsável com os valar, mas em um caso como este, vale tentar de tudo. Mãos gentis me ergueram no ar e estremeci. Sem    que eu tivesse tempo de processar o que acontecia, musculosos braços me envolveram e fui alçada sob um cavalo. Abri os olhos por um momento e vi rapidamente, um forte guerreiro que sentou-se atrás de mim, e ao mesmo tempo que me segurava com um dos braços, conduzia o garanhão para fora daquele fétido lugar.

Estava muito debilitada, mas ainda conseguia distinguir o bem do mal, e aquele cavaleiro não parecia ser ruim. Não pude vê-lo com perfeição, pois tudo aconteceu rápido de mais, mas aqueles braços que me envolviam, apesar de fortes e rudes, emanava uma leve energia de paz. Eu devia estar mesmo por demais enfraquecida para não conseguir sentir com clareza as coisas, mas preferi, mediante a minha situação, acreditar nisso. Só queria ver os olhos dele para fazer uma interpretação mais justa. Trotamos muito tempo dentro daquela úmida
caverna e quando saímos, a noite abraçava a terra média com seu negro manto. Só então me permitir erguer a cabeça para sentir o frescor noturno, mas meu corpo debilitado me traiu. Cambaleei para a frente, para ser gentilmente apoiada pelos braços do cavaleiro.

Ouvi um grunhido vindo dele e estremeci. Talvez eu estivera realmente errada e aquele ser se tratava de um emissário de Melkor. A noite estava escura e não conseguia imaginar como ele conduzia o animal por caminhos tão certos e seguros. Ou talvez o cavalo era encantado e conhecia as mais obscuras passagens. Quando chegamos no que pareceu ser uma estrada, o garanhão resfolegou e fui apertada contra o corpo do cavaleiro, ao mesmo tempo que um veloz galope se iniciava.

Me senti voar sob toda terra média. Conhecia cavalos, mas jamais havia galopado em um tão veloz. O vento estava gelado e eu tremia de frio. O cavaleiro me puxou mais para si, me cobrindo com seu manto. Encostei a cabeça em seu forte peitoral e inalei um aroma almiscarado misturado com alguma coisa que me lembrava Valfenda. Acho que adormeci, pois quando me dei conta, estávamos em um outro lugar. Sabia mesmo estando com o rosto coberto por seu manto, pois o som era diferente do que havíamos passado. Aos poucos o cavalo foi diminuindo a marcha e notei que atravessávamos um rio.

Adormeci novamente e acordei sentindo suaves mãos passando algo molhado em meu rosto. Estava deitada sobre confortáveis folhas aromáticas. Quem ousa me tocar, pensei, e antes mesmo que eu esboçasse qualquer protesto, ouvi aquela rouca voz do cântico.

_Te aquiete pequena. Não irei lhe fazer mal. Você está muito machucada, precisa se curar. Deixe que eu faça isso.

Então eu precisava me curar. Mas pra quê? Queriam me ver lutar? Mas ele disse que não me faria mal. Talvez não ele, mas quem? Mas aquela voz não deixava eu pensar direito. Aproximando uma tigela de minha boca, foi falando em um tom hipnotizante.

_ Vamos, tome isso, acho que te fará melhor. Não pude rejeitar, pois meu traidor corpo ansiava por alimento. - De vagar, bem devagar. Tome com calma, não pode ser rápido não.

E aquela voz... Que voz.... Deveria ser proibido alguém ter a voz tão lindamente encantada dessa forma. Percebi que agora eu estava suando de calor e afastei as cobertas para descobrir que estava seminua, pois minhas roupas rasgadas expunham meu corpo. Envergonhada, puxei rapidamente o manto para cima de mim, arrancando dele o mais belo sorriso que já vi. - Oh pequena, não te
envergonhe. Não há nada aí que ainda não tenha visto. E fique tranqüila, és a humana mais linda que meus olhos já fitaram. Eu odiava que me chamassem de pequena, mas naquela voz parecia ser tão doce. Eu estava sendo enfeitiçada, só podia. Sentei-me rapidamente e olhando para ele disse:


_ Não me chame de pequena! Não sei quem é você e nem tão pouco o
que quer.

Aqueles olhos pareceram me fitar com pena, o que me enfureceu, mas rapidamente se escureceram com uma raiva que me fez recuar. Numa mistura de gentileza e persuasão, ele me fez deitar novamente.

_ Então além de pequena és brava? É uma combinação interessante.

O esforço me fez sentir tonta e começava a tremer novamente de frio, e o tom preocupado de sua voz me alertou que o melhor seria eu cooperar.

_ Eu não sou um bom curador, miúda.


" E agora essa!" - pensei. - Substituir o pequena por miúda. Mas tanto faz, ambas palavras soavam como músicas vinda daqueles lábios. Oh, realmente eu não estava nada bem. - Oh irmão Shiandle, por onde andas, meu caro? Agora que preciso tanto de ti, não consigo te contactar. Que posso fazer? Bem, - Disse então se voltando para mim.


_ Você precisa se alimentar mais. Não sou muito bom cozinheiro, mas antes algo do que nada.

- Pelo jeito não és nem bom curador e nem cozinheiro, em que és bom então, meio-elfo?

As palavras saíram sem que eu percebesse. Esse meu maldito hábito de falar tudo que vem a mente! Ele me olhou com aqueles olhos brilhantes e antes mesmo que eu pudesse pedir desculpas, se jogou em cima de mim e me beijou. Pareci derreter. Senti meu corpo se desintegrando em milhares de pontos calóricos e luminosos. Foi um beijo quente, sem espaço para fuga, explorador e sedento por conhecer todos recantos dos meus segredos... Um beijo com saudade de anseio por mais e de
que te quero em excesso. E da mesma forma rápida como começou, terminou, e eu senti um frio que jamais havia sentido.

Uma raiva tomou conta do meu ser, sem que eu conseguisse explicar, porque tinha a impressão de que havia gostado, e muito daquilo. Sua atitude posterior me deixou mais constrangida ainda. Se voltou de costas e grunhiu algo parecido com desculpas, para depois se afastar. Fiquei ali deitada, tremendo de raiva e frio, numa sensação de abandono total.

Oh valar! Como posso ser tão impetuosa? Um cavaleiro me ajuda e o que dou em troca? Rebeldia e mal criação? Zurg tinha razão, sou muito arredia, preciso me educar. mas pra quê ele me beijou?Vai ver que é uma criatura maligna qualquer, um emissário mesmo de Melkor tentando ganhar minha simpatia. Maldição! E pensando nisso adormeci. Acordei com os primeiros raios de sol apontando ao leste. A fogueira ainda crepitava e antes mesmo que eu me movesse para checar os arredores, ele se aproximou com aquela voz proibida.

_ Não se mexa, do contrário, sentirás muita dor.

Quem era esse ser para saber de tantas coisa sobre o que iria ou não sentir? Por pura rebeldia, ou talvez para contradizê-lo, movi a cabeça e lágrimas de dor escorreram de meus olhos. Percebendo meu movimento, ele rapidamente se abaixou segurando com delicadeza meu rosto e dizendo em uma voz preocupada.    

_ Oh pequena, eu avisei, vamos, fique quieta, só um pouco. Já falei, não sou bom curador, se ao menos eu conseguisse contactar meu irmão. Ele é muito bom em curas, sabe? Mas infelizmente não o encontrei aqui. Sei que você não parece lidar bem com ordens, mas precisa mesmo ficar quieta. Não sei quanto tempo ficaste presa, mas sei de uma coisa: judiaram muito de ti. Pensei ter visto uma gota de lágrima no canto de seus olhos e meu coração falhou algumas batidas.

Quem era esse ser que ao mesmo tempo se mostrava tão rude, para em seguida ser o exemplo de gentileza?

_ Onde está o cavalo? Perguntei. Ele me olhou com um divertimento nos olhos e respondeu.

_ Deve ter ido procurar alguma égua para curar.

Como não podia mover o rosto, fitei-o com o mais puro desprezo. Me senti comparada com uma égua. Minha atitude lhe fez gargalhar.

_ As éguas por vezes são mais obedientes que as humanas, sabia?

_ E os homens mais irresponsáveis que os cavalos. Respondi.    

_ Ora essa, - retrucou ele, ainda se desmanchando de rir, - e por que dizes isso, miúda?

_ Não me chame de miúda!

_ Certo, já posso retomar o pequena então? - Não! Não pode fazer nada. Vai alimentar seu cavalo! Isso que deveria fazer. Aquele meio-elfo estava me deixando seriamente irritada.

_ Certo, mas antes as éguas, digo, as damas. E se abaixando, colocou um pedaço de carne em meus lábios que digeri sem reclamar.

_    Ainda estás muito fraca e precisa descansar. Tem um pequeno elevado de terra logo ali a frente. Vou te carregar para lá, parece um lugar mais seguro de se ficar durante o dia. E dizendo isso, envolveu aqueles fortes braços em meu corpo, me erguendo do chão e me carregando em suaves passadas. Eu me sentia tonta, ao mesmo tempo que irritada por tamanha submissão. Jamais havia permitido que me subjugasse daquela forma.

Mas o que fazer? Não tinha forças nem para me sentar direito. Assim que me pousou no chão, adormeci novamente. Acordei muito tempo mais tarde, pois a linha do oeste estava avermelhada com o sol que se despedia do dia. Tentei mover a cabeça, o que me pareceu mais fácil. Enxerguei primeiro patas e erguendo o olhar vi o garanhão do cavaleiro a poucos metros de mim. Nossa! Era um senhor garanhão. Fiquei encantada. Seu pêlo negro, era como a maior noite de escuridão já existente, e reluzia ao menor reflexo de luz solar, ou da lua. Seu corpo era forte, com patas enormes e ágeis, e seu porte físico e sua imponência pareciam com os antigos cavalos de Rohan pertencentes a mais pura linhagem de sua raça.

Minha boca ficou ceca diante aquela visão. Nunca fui de temer os animais, mas aquele impunha um certo respeito. Com uma voz bem suave, chamei-o. Ele pareceu nem ouvir. Insisti, pois jamais um animal não respondera ao meu chamado. Olhei fixamente em seus olhos e tentei passar-lhe uma mensagem pacífica de amizade. Pouco a pouco ele se moveu. Primeiro uma pata, depois outra, jamais desviando o olhar do meu. Quando estava bastante próximo para tocá-lo, estendi a mão, mas sem encostar nele. Queria sua permissão para isso. E precisava tocá-lo. Era um animal sem dúvida de poder. Ele entendeu meu apelo e abaixou o focinho, cheirando meus dedos. Com uma delicadeza que jamais imaginei haver em um cavalo, ele lambeu minha mão o que me fez rir de prazer. Conquistara o cavalo do cavaleiro! Agora tinha certeza que aquele meio-elfo era do bem,    pois jamais um garanhão como este serviria ao mal. Passei a desejar que ele voltasse logo para conversar, saber de onde ele era, quem era e o que estava fazendo em Estrado, e como me descobrira naquela cela. Mas meu desejo estava longe de se realizar. Conforme o tempo foi passando, ficava preocupada, pois a noite já caía e a lua fazia sua subida preguiçosa para o centro do céu. O garanhão, agora meu amigo, se mantinha ao meu lado e eu acariciava sua macia crina.

Estava ficando com fome e acho que o bicho percebeu, pois se afastou para retornar depois com uma maçã na boca. Achei graça e aceitei o alimento daquele anfitrião. Comi com vontade a deliciosa fruta e consegui me sentar. Novamente o garanhão se afastou para voltar agora, trazendo umas folhas na boca. Ah não, pensei, isso eu não vou comer não. Sentindo minha relutância, ele começou a esfregar as folhas no meu rosto, o que me fez rolar de tanto rir. Estava
ficando curada, certamente. Resolvi aceitar as folhas e com relutância comi. Imediatamente senti um calor revitalizante percorrer meu corpo e tentei ficar de pé.

Era incrível, mas aquele cavalo sabia das coisas. Pra que o cavaleiro queria o irmão curandeiro, sendo que dispunha do próprio curador? De repente, a crina do cavalo se ouriçou. Com o canto do olho, vi    um movimento vindo da floresta. Fiquei em pé escondida atrás de algumas árvores e avistei uma    legião de orcs se aproximando. Não sabia onde estavam minhas armas, nem ao menos se ainda as tinha. Tentei me armar do jeito que podia. Juntei algumas pedras e galhos e subi o mais alto que pude em uma árvore.

De lá de cima fiz sinal para que o cavalo se escondesse, no que fui atendida. A visão era bem melhor, mas a situação estava longe de ser. Ouvi um    agudo
assobio vindo do outro lado e o cavalo ergueu-se nas patas traseiras correndo a toda velocidade. Os orcs viram o movimento e viraram-se em direção do cavalo seguindo-o. Não! Pensei, eles não podem. Antes mesmo que eu pudesse me mexer para descer e tentar fazer algo, o enxerguei em sua mais pura forma de poder. Montando o garanhão,    lá estava meu cavaleiro. Imponente e galopando em toda velocidade em direção dos orcs. Não havia pedras em seu caminho, ondas no seu mar, nem vento ou tempestade que lhe impedisse de continuar. O ódio que eu lia em seus olhos era a mais pura demonstração de desprezo por aquelas criaturas que com toda    certeza ele destruiria num piscar de olhos.

E assim foi. Muitos orcs fugiram, mas os que ficaram não sobreviveram para contar. Eu não conseguia me mover, tamanha minha surpresa de ver,    tão belo cavaleiro em ação. Agora entendia como ele sozinho conseguiu lutar contra aqueles fétidos guardas hobgoblins. Antes mesmo que eu pudesse pensar em fósforos coloridos, tudo terminou. O cavaleiro nem pareceu suar. Galopava agora de volta e pude ver o quão era lindo.

Só queria que ele chegasse logo para agradecer-lhe. Mas ao se voltar para a árvore onde eu estava, nossos olhares se encontraram e algo aconteceu. No meio do caminho ele desmontou e cochichou alguma coisa no ouvido    do o cavalo. Em seguida, sumiu na floresta e o garanhão veio de encontro a mim. Desci da árvore sem entender nada e fiquei ali em pé no elevado tentando achar o meio-elfo, enquanto o cavalo se abaixava para que eu montasse-o. Não havia nada que eu pudesse fazer, há não ser obedecer aquele animal. Peguei minha mochila que estava ali perto, me vesti da melhor forma possível, montei-o e segurei    firmemente em suas crinas. Porém, ele galopou em sentido contrário de onde
o cavaleiro havia sumido e uma sensação de perda se apoderou do meu ser.


Depois de passar por algumas trilhas estreitas, chegamos em uma estrada que reconheci: era a grande Estrada do Leste. Meu coração batia forte e minha mente não conseguia processar as coisas direito. O cavaleiro se fora? Mas como? O que eu fiz? Zurg tem razão, sou uma má agradecida. Enquanto o garanhão corria pela estrada, eu ia processando melhor as coisas. Vai ver ele tem família e precisava voltar. Sim, pelo menos um irmão ele tinha. Oh cavaleiro, mas eu só queria lhe agradecer. Envolta a esses pensamentos, nem vi a estrada passar. Quando me dei conta, já estava no portão sul de Bri e o garanhão pareceu querer que eu descesse. Bem, que assim seja. Desci do lombo de meu amigo e o abracei, com lágrimas nos olhos.

Fiz então algo que não entendi. Peguei uma fita que costumava amarrar meu cabelo e a prendi em sua crina dizendo: - Entregue a seu dono como sinal de gratidão. E que Tulkas se faça sempre presente em suas batalhas, garanhão. E foi assim que me despedi de meu amigo. Não sei se algum dia o verei, não sei ao menos o nome de seu dono, mas aquela rouca voz e ardentes olhos, jamais se desprenderão de minhas lembranças.

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