Resgate em Archet - Parte II
Informações gerais
- Título:
- Resgate em Archet - Parte II
- Autor:
- meneldulin (antigo)
- Tipo:
- Fan-fic ambientada no MUD (OOC)
- Participantes:
- Local:
- Bri e Archet
- Data IC:
- 38º dia do Rhîw do 4758º ano de Imladris
- Data OOC:
- 15/01/2005
Resumo
Andando pelos túneis sombrios de Archet, Meneldúlin Iluthiel encontra algo estranho. Seria verdadeira a estória sobre a Guilda dos Assassinos? O que se esconderia atrás da pesada porta de ferro?
***
Nota da Administração: Uma Fan-Fic ambientada no mud é como um Log OOC, ou seja, que _não ocorreu_ realmente dentro do jogo, portanto não é passível de atribuição de gp.
Em pouco tempo, ouvi, com uma certa satisfação pessoal devo admitir, o ruído característico que as fechaduras fazem, quando nelas introduzimos, habilmente, alguns arames à guisa de chave. O ruído também deve ter sido ouvido do outro lado da porta, pois o barulho que ouvia, cessou. Visto que não havia motivo para entradas furtivas, já que o ocupante daquela sala certamente já me esperava, entrei, como quem entra numa taverna: barulhento e confiante. Toda essa confiança, efetivamente, diminuiu quando me deparei com o corpulento ruivo que lá estava.
"Bem-vindo à minha câmara de tortura. Como posso machucá-lo?", foram suas únicas palavras. Acredito que a maioria de vós deve estar pensando em qual resposta engraçadinha eu dei a ele. Eu poderia inventar algo agora, na segurança do meu quarto, aqui no andar de cima do Pônei Saltitante, mas a verdade é que meu sangue gelou e eu só pude gaguejar diante da visão de meu oponente. "Eu sou Wilam, o torturador, e você é...?", disse ele numa voz clara e sem entonação, e continuou, sem esperar resposta, "Creio que posso chamá-lo de diversão..." Neste momento, Wilam deu o mais aterrador sorriso que já vi. Não foi um sorriso intimidante, fanfarrão. Não. Foi um sorriso de prazer.
Mal tive tempo para sacar minha adaga, antes de levar um estrondoso soco no rosto. Meus pés abandonaram o chão por alguns segundos, o suficiente, apenas, para que o segundo soco me alcançasse ainda em pleno vôo. Atravessei a sala, acindo sobre um cadáver, já parcialmente decomposto, que jazia sobre um estranho aparato de tortura. "Tenho que agir rápido!", pensei, "Estou no covil dele, no seu território e...", não pude completar o raciocínio, pois Wilam tinha pressa em fazer-me sofrer, e ele era bom no que fazia. Acertou-me com uma cadeira de ferro, e rolei alguns metros, saltando atrás de uma espécie de sarcófago. Onde estava não podia alcançá-lo, mas ao mesmo tempo estava a salvo de suas investidas. "Pensa, pensa, pensa...", falei baixinho, enquanto tentava manter em pé, o caixão de ferro que aparava os alucinados golpes do meu algoz. Neste momento, percebi, por uma estreita janela no caixão, que o mesmo era cheio de espinhos. Uma donzela de ferro. E estava destrancada! Quando o torturador preparou-se para sua investida seguinte, saltei de trás da donzela de ferro e, com um rápido movimento de pulso, girei-a de frente. Aberta diante de Wilam! A força da investida, tornou impossível que recuasse e, com perfurações por todo o corpo, meu oponente tombou, dentro do caixão, que tranquei logo em seguida.
O torturador era forte, pois, mesmo muito ferido, ainda tentava livrar-se da improvisada armadilha em que caíra. O sorriso, agora esgarçado de dor e fúria, podia ser visto pela janelinha da donzela de ferro. Não tinha muito tempo para pensar, então, procurei logo outra saída dali. Uma das paredes chamou-me a atenção por ser um tanto saliente. Era uma porta! Mas estava trancada, e não havia tempo para fazer uma busca pela chave, portanto, tratei de arrombá-la e sair de lá o mais rápido que pude. A fechadura era pior que a primeira, e pude realizar tal tarefa sem dificuldade. Na sala ao lado, atraídos, provavelmente, pelos urros de Wilam, estavam três estranhos encapuzados, portando negros cajados e decididos a impedir-me de seguir adiante. Atrás deles, uma grande tapeçaria mal escondia uma óbvia passagem.
Estava ferido e cansado, não podia lutar com três oponentes ao mesmo tempo, tentei, então, evitar os golpes, ao invés de efetivamente lutar. Esperei o momento certo e rolei por baixo do imenso tapete cortando, logo em seguida, as amarras que o seguravam. Os três lacaios, atrapalhados pelo tapete, ficaram para trás e pude seguir adiante. Corri, sem prestar muita atenção no caminho, por um extenso corredor que, depois de uma curva, levou-me à uma cúpula de metal. O corredor seguia adiante, mas ele era o caminho óbvio e eu podia ouvir, pelos passos, que o número de perseguidores era bem maior que três, agora. Decidi abrir a cúpula e descer. Assim que toquei o chão, fechei novamente a cúpula e escondi-me, esperando, em silêncio, que as coisas se acalmassem. A sala, naturalmente muito escura, mostrou-se uma ótima cobertura, pois nos minutos seguintes, várias vezes a cúpula foi aberta e uma cabeça encapuzada vasculhou, com o auxílio de uma tocha ou lanterna, a sala onde eu estava, sem que eu fosse descoberto. Durante o tempo que fiquei escondido apenas podia observar uma sala circular adiante, mas pouco podia discernir na escuridão.
Meu ferimentos incomodavam bastante, mas eu precisava esperar antes de fazer qualquer coisa. O líquido curativo, que me fora dada por um jovem alquimista hobbit do Estrado, brilhava no escuro, e eu não queria retirá-lo da minha mochila no momento errado. "Paciência!", pensei, "Sua impetuosidade já lhes trouxe por demais transtornos hoje..."
O tempo passou e creio que cheguei a cochilar, encostado à fria parede daquela sala. Acordei, assustado, mas tudo estava silencioso. Enfiando a mão dentro da mochila, retirei a rolha do frasco e rapidamente puxei-o e bebi o seu conteúdo. Uma sensação de calor, parecida com a que experimentamos ao entrar num recinto fechado e aquecido, no Inverno, espalhou-se por todo meu corpo. Movimentei as mãos e os pés, espreguicei-me e ergui-me lentamente, centímetro por centímetro, apoiado na parede. O silêncio tumular foi quebrado, repentinamente, por alguma movimentação na sala circular. Esgueirei-me até a porta e pude ver dois estranhos, vestidos com belas camisas ornadas e portando ameaçadoras adagas negras, que conversavam em sussurros. Já me preparava para investir contra eles quando uma voz feminina, distante, gritou algo que não pude compreender e os dois partiram, apressadamente. "Parece que minha sorte voltou", pensei enquanto entrava, com passos leves, porém rápidos, na sala circular.
A sala, tão escura quanto a que deixei para trás, me recebeu com um sopro gélido, um sentimento de maldade pura! Nas paredes grandes manchas feitas com uma tinta escurecida, que poderia ser sangue velho. Se existia a tal Guilda dos Assassinos, aquele salão era certamente parte dela! Vindo de um agourento corredor, pude ouvir um soluçar caracteristicamente feminino. Espiei e vi um estranho, cintilando sob uma aura enegrecida, diante de uma cela. Naquele instante, entendi que minha busca terminara: apenas aquele malfeitor, me separava da donzela que buscava. Aquela a cujo suplício eu respondera e que havia de tirar daqui sã e salva. Investindo-me de coragem, avancei decidido a matar ou morrer, para livrá-la de seu macabro captor.
Assim que corri pelo corredor, o bandido saltou sobre mim. "Isto irá ensiná-lo a não andar por estas bandas!", gritou ele e, logo em seguida, falando algumas palavras incompreensíveis, acertou-me com uma violenta magia. Caí, prostrado, aos seus pés e ele, desembainhando uma grande espada de ossos, investiu furiosamente contra meu peito. Rolei para o lado, sentindo a malignidade do impacto da espada no chão de pedra fria. Percebendo o seu erro, o maldito atingiu-me com um chute no flanco. Saltei sobre ele e, com um rápido golpe, desarmei-o. Surpreso, tentou chutar-me novamente, mas foi surpreendido por uma rasteira, seguida de uma precisa rajada de golpes no ventre. Apesar de todo o sofrimento que sofreu, o bandido parecia ser durão, pois ergueu-se de um salto e aplicou-me uma seqüência de três ou quatro chutes bem dados, que me mostraram todas as estrelas das quais cantamos nós elfos. Aturdido pelos chutes, não percebi que ele rolara e retomavam a terrível lâmina em suas mãos. Saltei novamente sobre o covarde, mas ele me recebeu com um golpe bem aplicado no ombro que arremessou longe minha adaga e me prostrou indefeso. Enquanto ele se preparava para o golpe de misericórdia, fechei os olhos e pensei comigo, "É minha única chance, ou consigo, ou sou um bardo morto..." Enquanto a lâmina descia violentamente sobre minha cabeça, pedi a bênção de Vána e recitei, assim como me ensinara meu mestre, antiga fórmula mágica da invisibilidade.
O olhar abobado no rosto de meu oponente e sua lâmina congelada no ar, me mostraram que contra todas as probabilidades, eu havia conseguido! Minha sorte realmente voltara! Tendo a invisibilidade como escudo, rolei até minha adaga e, com um salto, cravei-a no pescoço do maldito seqüestrador. Depois de uma rápida busca em suas roupas encontrei uma chave envelhecida, que, como confirmei no segundo seguinte, abria a cela. Um frio pegajoso percorreu minhas roupas no instante em que abri aquela porta, mas a visão da donzela, prostrada, vestindo apenas um vestido rasgado, afastou de mim qualquer pensamento negativo.
"Por favor, deixe me ir! Por favor! Tenho apenas 14 anos!", falou ela assustada e entre soluços continuou, "Sou muito jovem para sucumbir aqui!" Aproximei-me e ela desfaleceu em meus braços. Usando o pouco de força que me restava, ergui o seu frágil corpo, chutei a porta da cela e saí de lá tão rápido quanto pude. Voltei para a cúpula e, quando passava o corpo desmaiado de Prilla pela abertura circular, ouvi gritos no corredor atrás de mim, "Mestra, S'goral está morto! Alguém invadiu a guilda!" Não esperei por uma resposta, subi pela escada de ferro e continuei pelo caminho preterido anteriormente. Qual não foi minha surpresa ao ver, bem ali, uma outra escada que subia, levando-me novamente aos esgotos de Archet. Não foi difícil encontrar uma galeria aberta como aquela por onde entrara e em pouco tempo estava à caminho de Bri, com Prilla em meus braços. O cansaço, porém, não permitiu que continuasse a viagem, então, parei para dormir um pouco. Escondi o acampamento a alguns metros da estrada, acomodeia-a no meu colchonete e dormi no chão. Quando acordei, ela havia fugido. Segui seus rastros e sei que ela chegou em Bri em segurança, mas nunca mais a vi. Creio que partiu, para a cidade de humanos onde vivia antes da captura.
