Resgate em Archet - Parte I
Informações gerais
- Título:
- Resgate em Archet - Parte I
- Autor:
- meneldulin (antigo)
- Tipo:
- Fan-fic ambientada no MUD (OOC)
- Participantes:
- Local:
- Bri e Archet
- Data IC:
- 38º dia do Rhîw do 4758º ano de Imladris
- Data OOC:
- 15/01/2005
Resumo
Sobre como Meneldúlin Iluthiel, o bardo de Lothlórien, recebeu um peculiar pedido de ajuda, e como infiltrou-se nos sombrios túneis de Archet para resgatar uma infeliz donzela seqüestrada.
***
Nota da Administração: Uma Fan-Fic ambientada no mud é como um Log OOC, ou seja, que _não ocorreu_ realmente dentro do jogo, portanto não é passível de atribuição de gp.
Mais um dia raiava em Bri. Os pássaros cantavam, os cães ladravam e os hobbits, com suas barulhentas carroças, impediam qualquer tentativa de me manter na cama, apesar de ainda ser madrugada, visto que o sol mal viajara meio céu. Ergui-me, ainda sonolento, e demorei-me alguns segundos determinando onde, precisamente, havia dormido - seria melhor desfalecido! - na noite anterior. As paredes de finos arames, a quantidade de plumas em minha roupa e um ou dois galináceos que ainda restavam por ali, deram-me a dica: provavelmente, rastejara mais uma vez, embriagado, para dentro do galinheiro do bom Nob. Em poucos segundos, aqueles entre a tênue percepção dos fatos e o entendimento da situação como um todo, um sino tocou em minha mente! "As galinhas! O Nob vai enlouquecer se alguma delas estiver faltando", pensei alarmado e, num pulo, catei minha mochila, jogada num canto, procurei minha adaga, que escorregara de minha mão durante o sono, e saí em busca das malditas galinhas.
Permitam-me que abra parênteses para que vos conte o que penso verdadeiramente delas. As galinhas. São seres estúpidos que, se deixados à solta e sem cuidados, facilmente envolvem-se em confusão. Apesar dos deliciosos ovos com os quais pagam os cuidados a elas dedicados - burras que são - e da suculenta carne, que fica boa não importa o método usado para prepará-la, são os seres capazes de fazer o som mais hediondo de toda Arda. Quem já foi acordado, depois de uma noite de vinho e mulheres, sabe do que falo. Fecho parênteses!
Onde estava? Ah, sim! Pois bem. Saí em busca das galinhas. Depois de quase uma hora, consegui juntar as danadas, um trabalho titânico, se considerarmos que tinha por objetivo levá-las vivas. Seria bem mais simples matá-las todas e atirá-las lá, não? Creio, porém, que isso em nada melhoraria minha situação com o Nob. Portanto, catei-as vivas, com a ajuda de um espelho de mão, e um truque de hipnotismo ensinado-me, há anos, por Farandillo, o Senhor dos Animais. O nome é pomposo, mas o homem não passa de um bobo-alegre, dono de um circo de bichos. Me ensinou muito, o coitado, quando eu ainda era um elfo inexperiente e jovem. Gostaria de saber por onde anda... Mas eis que fujo do assunto, e não devo! O mais estranho foi que, ao pegar a última das galinhas, encontrei-a bicando um pequeno pedaço de papel. Não dei muita atenção à coisa, até que percebi que havia algo escrito nele. Era um panfleto de uma suposta "Guilda dos Assassinos", localizada em Archet, mas não foi isso, ainda, o que me chamou a atenção. No verso, escrito numa estranha tinta ressecada, que descobrir depois ser maquiagem, havia uma peculiar mensagem:
"Fui seqüest.::da por salteadores
túneis .: e::::amento :::. Archet.
.::: .::::::.
Prilla"
Neste momento, o dever cavalheiresco tomou meu espírito. Entendam. Apesar de ser um pobre menestrel, sem senhor e sem escudo, livre para fazer aquilo que desejar, portanto, tenho minhas ações guiadas por um intrincado código de conduta pessoal. E deixar a sua própria sorte, uma moça indefesa - à mercê de malfeitores! - não faz parte deste código. Assim, esquecendo o cansaço e a noite maldormida, levei a última galinha ao galinheiro, tranquei-o e parti. Rumo à Archet e à aventura!
A viagem foi tranqüila, como de praxe, e, como também é comum, encontrei Kylara, apregoando seus precisos mapas, diante do portão. "Deseja algum mapa, elfo?", perguntou-me, tão logo me aproximei. Fiz que não com a cabeça, mas mudei rapidamente de idéia. Olhei-a de soslaio e disse, fingindo desinteresse, "Tem algum que mostre túneis, senhorita?". Tive a impressão de ver uma sombra passar pelo seus olhos, mas a impressão pasou assim que me respondeu, no tom alegre habitual, "Não, bardo, mas posso tentar conseguir um assim". "Faça-o!", completei com firmeza, finalizando nossa conversa, e tratei de adentrar os portões da cidade.
Archet, para os que não a conhecem, pode ser deveras confusa. Muitas ruas se entrelaçam, umas nas outras, às vezes levando a lugar algum. Becos e mais becos, terminam nosso caminho quando menos esperamos. Eu, no entanto, já vaguei por muito tempo na cidade-mercado e conheço suas sinuosas ruas como as palmas de minhas mãos. Ainda assim, não tinha a menor idéia de onde encontrar túneis e o bilhete, borrado como estava, não ajudava muito. Depois de andar bastante, o cansaço acumulado obrigou-me a sentar num beco e recostar-me na parede de uma antiga torre, enquanto pensava no que fazer. Podeis imaginar minha surpresa, ao ver um pequeno rato saindo de uma galeria de esgoto. Num segundo, tudo ficou claro. Esgoto! Túneis! Alguns de vós podem crer que demorei muito para me aperceber deste detalhe. Acontece, porém, que não costumo perambular por esgotos e depósitos de lixo! Sou freqüentador assíduo de lugares bem mais agradáveis, no entanto...
Mas isso fica para outra estória! Voltemos às galerias. No segundo seguinte à visão do pequeno roedor, já estava eu a erguer a fétida tampa da galeria e observar os escuros túneis sob a cidade-mercado. Acendi uma tocha e iluminei a abertura, escancarada como uma boca faminta prestes a devorar-me. Nada. Ninguém. Apenas o suave som da água escoando por intermináveis túneis. Desci, decidido a ir até onde fosse necessário para salvar aquela pobre menina. Só de imaginar uma jovem donzela exposta a tal ambiente, sangue subiu-me à cabeça e saltei impetuosamente. Erro! Agora todos sabiam que alguém saltara. Não demoraria até que alguém viesse verificar. "Burro! Cuidado! Elfos são silenciosos, Yrchs burros e barulhentos", pensei comigo mesmo e a mera imagem mental dos malditos Yrchs, lançou-me um calafrio pela espinha, "Cuidado...", sussurrei. O túnel era bem escuro, mas preferi apagar a tocha. Já havia chamado atenção em demasia, todo cuidado tinha de ser redobrado, de agora em diante. Não era um longo corredor, em poucos passos, cheguei a um cruzamento triplo. Escolhi a direção para onde escoava a água. Leste? Oeste? Como saber, andando em túneis subterrâneos?
O corredor pelo qual segui era um pouco mais longo, mas logo cheguei a outro cruzamento. A água continuava na direção em que caminhava, mas à minha direita uma câmara, aparentemente seca, atraiu-me. Rente à parede, escorreguei lentamente para dentro da reentrância. Escadas! Uma escadaria em espiral, levava à escuridão, mais abaixo de onde eu estava. Tentei ouvir qualquer coisa, mas tudo estava em silêncio. Porém, uma chama bruxuleava no andar de baixo, e pude ver, de relance, um jovem humano, manuseando uma adaga. "Seria um dos tais assassinos?", ponderei, "Não deve ser um dos melhores, ou não se descuidaria tanto, virando as costas para a escada!" Num salto rápido, apunhalei-o pelas costas, trazendo toda a vantagem do combate para o meu lado. Ele virou-se, com um gemido de dor, mas eu já estava circundando-o e, com uma seqüência de golpes curtos, acabei com sua carreira de assassino. Além da parca roupa, encontrei com ele um panfleto idêntico ao que trazia comigo, exceto, claro, pela mensagem no verso. Reli o panfleto e não pude conter um sorriso ao me deparar com a última frase. "Furtivas e letais", sussurrei, "Rá!"
A sala era muito simples e lembrava uma masmorra. Apenas paredes nua e uma pesada porta de ferro que guardava sabe-se lá que horrores. Enquanto observava o lugar ouvi um barulho, vindo de trás da porta. Tentei a maçaneta. Trancada! Já esperava por isso, portanto, em poucos instantes já havia pego algumas gazuas na minha mochila e preparava-me para a tarefa de sobrepujar a velha fechadura.
