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História do Clã Ordem dos Mercenários Selvagens

por Selkie, em 03/01/2012, lido 1677 vezes (Clãs)

Resumo: A história da Ordem dos Mercenários Selvagens tem início com uma sangrenta batalha em Isengard, onde sete corajosos aventureiros se encontraram guiados pelo destino e se viram envolvidos por um forte elo que os uniu para sempre após uma luta pela sobrevivência onde bravamente lutaram e se defenderam mutuamente.

A história do Clã dos Mercenários Selvagens tem início com uma sangrenta batalha. Por volta das 22 horas, do 22º dia do Ringarë do 3090º ano da Terceira Era do Sol; sete corajosos aventureiros se encontravam em Isengard, por diferentes motivos. Não estavam juntos, mas a luta pela sobrevivência os uniria para sempre.

Beringel, um jovem clérigo, após ter recebido o pagamento do Senhor Dragão pelos serviços prestados a uma druida que padecia de uma grave enfermidade, ao tentar retornar para Bri, pegara o caminho errado, seguindo durante muito tempo perdido em uma longa estrada de pedra, até que encontrou alguns ladrões e mercenários, e não pensou duas vezes. Se escondeu para melhor elaborar um plano eficaz para roubar aqueles foras da lei, pois o ouro sempre fora sua fraqueza e certamente aquele bando deveria possuir muitas riquezas. Contudo, os ladrões notando sua presença foram mais rápidos.

Não soube dizer por quanto tempo esteve desacordado na estrada, mas quando conseguiu se recompor, lembrou-se de ter jogado sua mochila para provisões com ervas curativas no mato quando percebeu a movimentação dos inimigos vindo ao seu encontro. Com muita dificuldade, entrou na mata e depois de algum tempo, encontrou seus pertences. Todavia, o dinheiro que ganhara com o serviço prestado ao Senhor Dragão, havia sido roubado.

Após descansar um pouco, constatou que estava mais perdido que nunca. Começou a seguir a estrada se escondendo no matagal, para evitar mais ataques inesperados. Caminhando e descansando, vigiando com atenção os arredores, notou que a estrada terminava em um grande portão de ferro.

Encheu-se de esperança, pois ainda que não fosse a entrada de Bri, certamente haveria alguém ali que lhe daria abrigo ou melhor, poderia haver mais ouro dentro daquela fortaleza. Sua recente experiência de ser atacado inadvertidamente fez com que se tornasse invisível e vigiasse o lugar antes de tentar entrar. Ficou algum tempo escondido em uma moita no canto da estrada observando o movimento que não era grande. Viu homens fortes e armados até os dentes entrarem e sair pelo portão de ferro. Achou melhor retornar por onde veio, pois aqueles homens não pareciam nada amigáveis.

Já estava se levantando para pegar o caminho de volta, quando ouviu um grito de socorro vindo de dentro daquela fortaleza. Era tudo do que precisava. Não deveria haver muitos clérigos pelos arredores, logo cobraria em dobro pelo serviço prestado. Mas como atravessaria o portão? Como passaria pelo forte guarda que fazia a vigilha? Então lembrou-se de uma magia que pouco usava, mas se mostrava eficaz, atravessar portas!

Já invisível, lançou a magia de transparência e cuidadosamente atravessou o portão e seguiu a direção dos gritos. Passou silenciosamente pela guarita do guarda ao oeste e adentrou um túnel que desembocava em uma larga rua de pedras. Os gritos pareciam vir de algum lugar ao oeste. Avistou mais a diante da entrada, mas assim que se aproximou para dobrar a esquina, os gritos silenciaram-se. Beringel ficou preocupado, pois contava com aquelas supostas moedas de ouro que seriam pagas por seu trabalho de clérigo. Começou então a correr para encontrar o ser que gritava apavoradamente e agora silenciara-se.

Ao dobrar a rua, se indignou com que viu. Uma humana estava lutando desesperadamente com dois Orcs! E a valente jovem estava sangrando por tudo quanto era lugar e parecia estar morrendo! Beringel gostava muito de ouro, mas a covardia nunca fora um de seus atributos. Roubava apenas os ricos e ladrões, além de cobrar muito caro por seus serviços curativos. Agarrou com força sua adaga e partiu para cima de um dos Orcs enquanto proferia magias ofensivas para o outro.

A jovem humana, surpresa e estimulada pela ajuda, conseguiu desferir um chute no joelho de um dos Orcs que tombou sem equilíbrio. Beringel que estava tentando afastar o o inimigo para longe, percebeu o que a moça havia feito, e com um giro rápido lançou um raio fulminante no peito do Orc que estava caído no chão matando-o, ao mesmo tempo que decepava a cabeça do outro. A luta estava terminada, mas ainda não satisfatória. A moça jazia no chão sangrando e a beira da morte. Imediatamente, Beringel pegou seu cantil e suas poções curativas de dentro da mochila para provisões e rapidamente se ajoelhou ao lado da moribunda.

Lembrou-se de repente que ambos estavam visíveis e sem demora se tornou invisível lançando a magia na moça também. Percebendo que não contava com muito tempo, recitou pergaminhos curativos fechando as feridas. Não demorou a jovem abriu os olhos e acordou. Então Beringel serviu as poções de cura que ajudavam no restabelecimento. Mais disposta, a ferida sorriu para Beringel e assim ficaram se conhecendo. A jovem que se chamava Jani, contou para o clérigo como tinha chegado até ali. Ela havia passado o dia todo bebendo e farreando com outros ladinos amigos de sua classe.

Ela viera de terras distantes, mas assim que chegara nas cercanias de Bri, alugara um quarto na hospedaria do Pônei Saltitante e saiu para explorar o lugar. Como uma boa festeira, sempre carregava consigo algumas garrafas de rum. Tomou o caminho oeste de Bri e viera cantando e bebendo animadamente, até que chegou a uma interseção, e como sentira a presença de lobos a frente, resolveu entrar pelo caminho verde que seguia ao sul. Mais tranqüila, pois havia se afastado dos lobos, Jani seguiu sua animada caminhada bebendo e cantando até que chegou a uma trilha que se dividia. Como avistou uma larga rua de pedras, supôs que poderia dar em uma outra cidade, talvez mais atraente do que Bri para seus sórdidos negócios de ladina.

E tomou este caminho. Entretanto, sua animação durou pouco. Ao passar por algumas trilhas que cortavam a estrada, fora atacada por um bando de mercenários. Lutou bravamente com pelo menos cinco deles enquanto outros fugiam, e conseguira escapar. Porém, devido a bebedeira, estava totalmente desorientada e seguiu a estrada até que passou por um portão de ferro. Lembrava de ter sido advertida pelo guarda a não entrar, mas se encontrava tão cansada e ainda ferida da briga com os mercenários, que tratou de procurar um abrigo. Ao dobrar a curva a oeste, se deparou com dois Orcs.

Tentou partir pra cima deles, mas só conseguia se defender e gritar. Foi quando Beringel apareceu e a salvou. Ao saber que Jani se tratava de uma ladina, as esperanças de Beringel se renovaram. No final então poderia ser bem recompensado por seu trabalho. Sentindo-se melhor, Jani se levantou, agradeceu o clérigo, e conheceu a história de Beringel que também havia sido atacado por mercenários. Agora precisavam sair dali o mais rápido possível.

Mesmo tendo seus ferimentos curados, a Ladina estava mentalmente perturbada devido a bebida e andava com dificuldades, precisando se apoiar em Beringel. Assim que começaram a andar em direção a larga rua de pedras, ouviram mais gritos vindos de direções diferentes. Estavam cientes da urgência em sair daquele lugar, mas tanto um, como o outro, sabia que no final de uma boa batalha, muitas moedas de ouro surgem dos bolsos e mochilas dos derrotados e necessitados por alívio.

Os gritos vindo do oeste estavam se aproximando e sem demora correram para la. Entraram por um caminho ao noroeste e viram Um jovem mago e um Ranger lutando bravamente com três homens fortes. Jani, assim como Beringel, não era adepta da covardia, além do mais, Orcs eram criaturas repugnantes, e alguns possuíam muitas riquezas. Talvez lucrasse mais ajudando o mago e o ranger.

Então, esquecendo-se de seu estado mental, partiu pra cima de um dos agressores e Beringel achou melhor ficar recitando magias de cura. O jovem mago aparentava estar bastante ferido, mas ainda lutava com valentia. O forte homem que brigava com ele, não estava deixando por menos. Parecia haver dois homens dentro daquele corpo. E como pensamento geralmente atrai ação, de repente chegou mais fortes homens armados até os dentes e se uniram a luta desferindo golpes nos três. O jovem mago que acabava de matar o primeiro homem que o atacou, uniu-se a Jani para ajudá-la a enfrentar os recém chegados.

A ladina lutava com que tinha. Infelizmente perdera sua lança para os mercenários, mas ainda possuía uma garrafa que arremessou na cabeça de um dos homens que caiu morto na mesma hora. Beringel como estava enviando magias curativas, rapidamente jogou sua adaga para a moça que a pegou no ar e girou apunhalando mais um pelas costas. O ranger estava se desvencilhando de um outro homem, quando este o feriu na barriga. Jani percebendo que o golpe podia ser fatal, se jogou em cima do maldito e ambos rolaram no chão. Beringel rapidamente correu para o Elfo e fechou suas feridas com magias de cura. O ranger, ainda não totalmente restabelecido, mas um pouco melhor, aproveitando que a ladina lutava com o homem no chão, deu seu arco e flecha para o clérigo dizendo para que este atirasse mirando no homem.

Beringel que não possuía grande perícia em usar armas de tiro, titubeou, mas observando a luta que se desenrolava, notou que apesar da valentia, Jani estava no seu limite de força. Pediu aos deuses e esticou o arco mirando na cabeça do homem. Infelizmente errara, e acabara por acertar o braço da ladina que gritou de dor. Então Beringel desistiu do arco e flecha, apelou para suas magias conjurando do nada um punho invisível acertando um homem em cheio fazendo o cair desmaiado!

Mais a frente, o jovem mago estava dando tudo de si para se livrar de outro agressor. O experiente ranger correu para ele e o ajudou a acabar com aquela criatura maligna.Ofegante, o Ranger agradeceu a ajuda e fez as apresentações. Seu nome era Elroir e viera juntamente com seu irmão Sophos explorar Isengard.

Infelizmente foram atacados por muitos Orcs e e se perderam um do outro. Quando estava se organizando para fazer uma busca, ouviu alguém gritar e pensando que pudesse ser seu irmão, correu para ajudar. Foi assim que encontrou o mago. Jani ao ouvir o nome do ranger, mal pode se conter.

- Está querendo dizer que és Elroir Aetharnor?

- E Sophos é seu irmão que está perdido?

Elroir esboçou um sorriso e assentiu.

- Sim, exatamente. E isso muito me preocupa. Ele é meu braço direito, preciso encontrá-lo.

Jani estava extasiada de conhecer pessoalmente Elroir, o mestre dos mestres de estratégias de furtos, roubos e outras atividades obscuras. Elroir era um mito dentre os mercenários. Mas não pôde continuar a lhe fazer perguntas, pois nesse momento ouviram outros gritos a diante.

Enquanto corriam, o mago foi se apresentando. Seu nome era Lukian e fora até Isengard por engano. Na verdade ele pretendia adentrar o vale do mago atrás de poderosas ervas venenosas para suas poções. Ele, assim como os outros, ministrava suas habilidades em troco de muito ouro, e geralmente quem pagava melhor, eram seres de índole duvidosa.

Agora, sorria feliz por ter sido ajudado. Mas seu sorriso durou pouco tempo. Assim que Beringel e Jani acabaram de se apresentar, e antes mesmo que pudessem ficar invisíveis, outra luta estava se aproximando. Eram os outros gritos que Beringel e a jovem haviam escutado antes. Curaram-se rapidamente, esperaram pela luta, já que não havia tempo de se tornarem invisíveis. Jani ainda estava com o braço ferido, e Beringel fraco, dado as magias de cura que tivera que lançar. Precisavam sair logo dali para se restabelecerem.

Porém, Elroir que já conhecia o lugar, avistou mais homens e Orcs saindo da abertura de um subterrâneo que havia por perto. Fez um sinal para o mago que imediatamente puxou Beringel e Jani, e precipitaram-se a fugir antes que fossem vistos. Todavia, não foram rápidos o bastante e antes mesmo que pudessem pensar em truta crua, já estavam correndo em uma fuga desesperada com Orcs, homens e uruk-hais em seus calcanhares. Lukian, Beringel e Jani corriam mais para frente, enquanto Elroir gritava que estavam indo para o caminho errado. Mas seu aviso foi em vão, pois os três da dianteira já tinham dobrado à esquerda, adentrando mais ainda em Isengard.

Correndo com todas as forças, Elroir pensou rapidamente e dobrou a rua a direita. Os Orcs, homens e uruk-hais não possuíam uma inteligência eficaz, de forma a fazer com que se dividissem, e preferiram todos juntos perseguir os três humanos que já estavam entrando em outra briga mais a diante.

Elroir ficou sozinho e livre dos atacantes, porém desprotegido. Suas energias estavam debilitadas e não podia lançar magia de invisibilidade, só lhe restando usar o máximo de cautela possível. Para piorar a situação, uma chuva torrencial caiu do céu, e trovões e raios tornaram aquele ambiente mais ameaçador. Apesar de se manter alerta, Elroir começava a acreditar que as criaturas tinham desistido de persegui-lo, decidido que ele não valia tanto esforço. E acreditando nisso, pois era o que lhe restava, caminhou, driblando a chuva que lhe ensopava a roupa, em direção a luta, pela retaguarda dos homens, Orcs e uruk-hais. Mais adiante, conseguiu avistar o clérigo lutando com dois Orcs, a ladina com 1 uruk-hai , e o mago com dois fortes homens. As criaturas que estavam perseguindo, ainda não tinham chegado neles, mas Elroir sabia que não podia permitir que isso acontecesse. Seria uma chacina. Haviam pelo menos 4 Orcs, 3 uruk-haise 8 homens na perseguição! Mas ele contava com a vantagem de estar atrás, e estes apesar de estarem se aproximando dos aventureiros la na frente, se mantinham no meio, e não estavam lhe vendo.

Mas como podia ajudar? Apesar dessa vantagem, ainda eram muitos para quatro! Assim que dobraram para a esquerda, Lukian, Beringel e Jani continuaram correndo desesperadamente enquanto Elroir ficava para trás. Jani estava tão apavorada que sua bebedeira parecia ter passado. Mas Beringel sabia que não. a moça estava demonstrando uma coragem que há muito ultrapassava seus limites. Lá na frente, viram um Druida e um outro Clérigo lutando bravamente com dois Orcs e um comandante uruk-hai enquanto mais uruk-hais e homens chegavam vindos de vários lugares. Lukian largou os dois recém amigos e correu para ajudá-los.

Foi quando a chuva caiu e Jani tropeçou, diminuindo a distância com seus perseguidores. Beringel estendeu-lhe a mão, e ouviu por entre o ruído dos trovões a moça gritar para seguirem, não perderem a coragem, já que era para morrer, morreria lutando. E com um salto, se jogou pra cima de um uruk-hai que saíra de uma das ruas laterais e corria para Lukian com uma cimitarra na mão. Beringel ficara com os Orcs que saltavam do lado da estrada e se perguntava onde poderia ter ido parar o ranger, pois não o via mais por perto.

Elroir por sua vez, pensava em uma maneira de não permitir que os Orcs, uruk-hais e homens saídos do subterrâneo, chegassem até Lukian, Beringel e Jani. Enquanto ele pensava, mais próximos as criaturas ficavam. Foi quando algo inusitado aconteceu. Elroir não soube dizer ao certo de onde surgira uma pequena criatura saltando sob um uruk-hai e rodopiando feito uma louca, desferindo chutes, apunhaladas e golpes para todos os lados. Era outra mulher! Pequena, é verdade, mas uma mulher guerreira!

Pensaria nisso depois com calma, pois precisava aproveitar a ajuda inesperada e atacar também. Contudo, havia dado seu arco para Beringel, mas lembrou de ainda ter uma arma em sua bolsa, uma adaga com cabo de marfim, que empunhou juntamente com sua espada dourada. correu para o meio da luta, proferindo ameaças, lançando velozes estocadas com a adaga, poderosos golpes com a espada, socos, pontapés e tudo que podia para ajudar aquelas pessoas. Como atacou na retaguarda, empunhando sua espada dourada juntamente com a adaga, as criaturas foram pegas de surpresa e o experiente Ranger conseguiu cortar a cabeça de 3, enquanto gritava para a a mulher se abaixar, pois um Orc havia jogado uma espada franchada na direção do pescoço dela.

Então, ocupando-se de um homem ágil, foi tentando ganhar espaço para chegar perto de Jani, Beringel e de Lukian a fim de se certificar que eles estavam bem, apesar de tudo. Quando o aviso do elfo ecoou, a guerreira lançou-se por terra; a espada do inimigo assobiando-lhe aos ouvidos. Rolou sobre o solo enlameado e aproveitou o ensejo para pontapear os joelhos do homem que a atacara pelas costas. Este cuspiu um palavrão, mas conseguiu suster-se, após vacilar dois ou três passos. Assim que recuperou o equilíbrio, tornou a investir com um ímpeto enfurecido. Já de pé, a pequena mulher deteve a lâmina do guerreiro, cruzando a espada sobre o punhal apelando a todas suas forças para empurrá-lo.

Porém, não era fácil derrubar um uruk-hai, quando sua atenção precisava estar em toda sua volta. E nesse momento um homem lançou uma cimitarra em sua direção. A mulher conseguiu girar e vendo que o homem estava desarmado, cortou-lhe a garganta com uma espada. Aproveitando que ela se voltava para o homem, o uruk-hai partiu pra cima dela desarmando-a. A jovem não agüentou com o peso e caiu cambaleando desamparada. A espada escapou-lhe da mão e o seu olhar encontrou o esgar vitorioso do colosso que a defrontava. A lâmina afiada tombou sobre ela, e só não a trespassou graças à velocidade vertiginosa com que se movia.

O guerreiro rugiu irado, sem acreditar que falhara. No instante seguinte, o seu semblante retorceu-se de agonia, quando o punhal da opositora se enterrou na sua virilha. Ao voltar-se, sentiu um golpe no rosto, e o sangue quente escorreu de sua face. Um uruk-hai que estava escondido lançou uma cimitarra, e só não cortou o pescoço da guerreira por muito pouco. A jovem mulher não tinha tempo para se curar e se jogou no chão esfregando a face com muita lama, esperando que a hemorragia cessasse.

Lá na frente, Lukian, Jani e Beringel ouviram o grito do elfo que se aproximava:

– Jani! Beringel! Lukian! A voz de Elroir ribombou como um trovão sobre o clamor da batalha.

O astuto Ranger surgiu entre a confusão de corpos suados, escudos e espadas que se batiam, como se tratasse da encarnação de um Vala da guerra. Percebendo que Jani ocupava-se de dois uruk-hais, aproximou-se, defendendo a amiga que recentemente havia lhe salvado a vida, e jogou uma de suas armas para ela. Sua espada dourada abateu-se sobre um dos guerreiros, rodou e caiu sobre o outro. A lâmina ergueu-se, salpicando de sangue o louro dourado dos seus cabelos. Um dos inimigos tombou de joelhos, com o peito rasgado…

Ainda não fechara os olhos e outro já ocupara o seu lugar. Por ter se separado momentaneamente dos três aventureiros, conseguira se restabelecer satisfatoriamente, e agora atacava com uma ferocidade incrível. Empunhando unicamente sua espada dourada, A sua força era suficiente para manter os inimigos à distância.

O clérigo que estava mais a diante com um druida, se tratava de Sophos, que ao reconhecer o grito de guerra de seu irmão, se voltou e viu que ele trouxera aliados. Como o mago se encontrava mais próximo de si, fez-lhe um sinal mostrando que o druida que estava com ele precisava de ajuda. Lukian correu para ajudar e Sophos aproveitou para chegar até seu irmão, entrando na luta com um ímpeto enfurecido. Era espantoso ver os irmãos lutando com valentia contra aquelas criaturas maléficas.

Elroir investiu adiante e decepou o braço de um homem que saltara em cima de Sophos. O homem tropeçou nos próprios pés e tombou desamparado; a mão que lhe restava apertando o coto por onde o sangue esguichava; os olhos esbugalhados de horror. Sophos que acabara de matar dois Orcs, se aproximara e com uma adaga recurvada pôs fim ao seu suplício. Jani, pegou a adaga com cabo de marfim que Elroir lhe dera e aproveitando a ajuda do humano, devolveu imediatamente a arma que Beringel havia lhe emprestado antes, pois sabia que o clérigo estava passando sufoco para manusear o arco e flecha cedido por Elroir.

A ladina sem perder tempo, com a mão que antes empunhava a arma que dera para Beringel, desferiu um soco na barriga do outro uruk-hai, em seguida, estendeu a mão para pegar uma espada que estava caída no chão. Levantando-se rapidamente, girou e arremeteu contra dois jovens Orcs e abandonou-os engasgados em sangue. Com a adaga cabo de marfim, juntamente com a espada que achara, agora apunhalava e decepava braços e pernas daqueles que se atreviam a cruzar seu caminho.

Beringel percebendo que Elroir e um outro clérigo estavam dando cobertura para Jani, olhou para trás e viu uma mulher lutando valentemente com um homem que tinha pelo menos o triplo de seu tamanho. Rapidamente correu em direção a guerreira, gritando para que os dois recém amigos tentassem chegar até lá. O Druida que ninguém ainda sabia quem era, mas que lutava bravamente contra aquelas criaturas repugnantes, conseguira lançar sua magia de Aquatrance e aos poucos foi restabelecendo sua mana. Precisava chegar até os outros que ainda não conhecia, mas pelo canto do olho viu alguns homens e Orcs de Isengard indo em sua direção. Torceu para que a mana adquirida fosse suficiente e aproveitando-se da torrencial chuva que caia e formava pequenas correntezas, ergueu seu cajado e apelou para a magia de mesmo nome.

Imediatamente as águas das correntezas começaram a ondular levemente. O druida pensou que não seria capaz de ir além, e rogou a Ulmo que lhe ajudasse.

Quando estava quase desistindo, pois seu estado mental chegava ao limite, a correnteza das várias poças d'água se agitaram e uma gigantesca onda se elevou do solo. O druida conseguiu em fim, para seu alívio, criar uma grande correnteza que impulsionou a onda, cegando e dificultando os movimentos de seus inimigos, efetivamente diminuindo todos os seus atributos físicos.

Os outros que estavam do outro lado, se assustaram em ver um ser aquático submergindo do solo. Ele era terrível, como uma onda enorme que caminhava para a terra, com um elmo escuro como uma crista de onda e armadura de prata e tons profundos de verde. A voz que saiu de seus lábios foi profunda como as profundezas do oceano, e os oponentes do druida que impediam-lhe de chegar até aquelas pessoas, tombaram um a um, devorados pela enorme onda. E de repente, assim como ela surgiu, desapareceu, deixando apenas as correntezas de outrora. Dessa forma, o druida conseguira chegar até Jani e enviava-lhe magias curativas, pois ela se encontrava bastante debilitada após a investida cega contra os uruk-hais.

A escuridão era sufocante, e só alguns poucos archotes que por milagre resistiam a torrente de chuva, se encontravam bruxuleantes, fazendo com que as lâminas brilhassem. Beringel deixou os amigos para trás e foi tentando abrir caminho através do campo de batalha. O terreno íngreme, rochoso e escorregadio podia ser uma armadilha fatal para botas que nunca o haviam experimentado.

Mas o clérigo estava habituado em lutar nas mais precárias condições. A pequena mulher guerreira acabava de libertar a arma da carne quente de um Orc, e já prostrava um uruk-hai com um pontapé. Preparava-se para recuperar a espada, que caíra, quando outra lâmina lhe sibilou aos ouvidos. Instintivamente, ergueu o braço para deter o ímpeto inimigo com a bravura do punhal. Caiu para trás e o homem seguiu-a, tentando subjugá-la com o seu peso. Habituada a repelir adversários com o dobro da sua estatura, usou os pés para afastá-lo, enquanto a mão puxava uma faca escondida em seu tornozelo.

Quando o homem tornou a investir, a lâmina da guerreira já o aguardava. Varou-lhe o ventre com um grito alucinado e levantou-se para sustar mais um ataque. Ao seu redor, os corpos agitavam-se num frenesi bravio. O clamor dos homens e das armas era ensurdecedor. Viu que o druida que surgira do nada estava em dificuldades la na frente, defendendo o ladino, lutando ao lado de três outros aventureiros. Aproveitando sua pequena estatura, abriu caminho por entre os Orcs e uruk-hais que tentavam fechar o cerco, investindo agora uma espada contra suas virilhas e barrigas. Era noite fechada e nem a lua se fazia presente no céu.

A chuva parecia estar cada vez pior e somente os relâmpagos iluminavam a sangrenta batalha. Os archotes há muito que se extinguiram. Rapidamente usou da magia infravisão e gritou para que todos também usassem, caso possuíssem tal encantamento. Assim que gritou, despertou a atenção de um Orc que estava mais a frente de costas para ela. Este não perdeu tempo e correu na sua direção, empunhando uma espada de lâmina torta e berrando enlouquecido. Ela só teve tempo de lançar o punhal contra ele, antes de erguer a espada para defender-se de outro inimigo.

Pelo canto do olho viu o Orc da espada de lâmina torta cair, com o punhal enterrado na garganta, e inspirou um fôlego de vaidade. O seu arremesso melhorava a cada dia! Concentrou-se no gigante que a desafiava. Era o maior que já enfrentara. Mais uma vez foi derrubada e teve de rolar na lama para escapar. Esboçou um tênue movimento defensivo, mas o homem tombou ao seu lado, vomitando sangue. Lutando para recuperar o fôlego, viu o jovem clérigo recolher a adaga com que trespassara o inimigo e estender-lhe a mão.

Seus olhares se encontraram, e por um momento algo pareceu marcar aquelas duas almas. Beringel a puxou para si e notando o seu rosto coberto de lama, fez menção de tocá-la, mas ela abanou a cabeça afirmando que estava bem.

- Você está ferida, precisa de ajuda! - Gritou o Clérigo preocupado.

Não puderam continuar a trocar impressões, porque se viram cercados. Uniram as costas e repeliram os inimigos com um ânimo renovado. Jani, Elroir, Sophos, Lukian e o druida, juntaram-se finalmente a eles. Ficaram dispostos lado a lado em Círculo, rodeados por Orcs, uruk-hais e homens, e assim que os sete corpos se tocaram, a lua prateada apareceu no céu, abrindo espaço e meio aquele temporal, e raios vitalizantes emergiram sobre eles.

Agrupados e revigorados pela energia produzida pelo contato dos seus corpos, os sete confrontaram os incrédulos inimigos com a misteriosa magia produzida pela lua que os unia. Estes já não sabiam se enfrentavam homens ou animais, guerreiros ou Valar… Os gritos confundiam-se com o rugido das feras e arrepiavam a escuridão. O sangue espirrava na direção do negro céu e misturava-se com a chuva e formava rios no solo alagado. Perceberam que quando juntos, ganhavam mais ânimo para a luta e uma força misteriosa surgia revitalizando e encorajando-os.

Assim, mantiveram a tática de avançar e voltar formando um Círculo menor, de forma a compartilharem aquela vitalidade que vinha da mãe lua. Muitas criaturas jaziam no chão, mas ainda haviam em número suficiente para fechar o circo em torno deles. Ao se unirem pela última vez dentro da roda formada por Orcs, uruk-hais e fortes homens, Em uma contagem mental, que por encanto os sete compartilharam naquele momento, partiram de uma só vez juntos para cima do Círculo que os rodeava, matando 3 criaturas cada um.

A lua voltou a abrir passagem dentre o céu escuro, e um clarão jamais visto antes iluminou o terreno. Os Orcs não acostumados com luz, fugiram desesperados para os subterrâneos enquanto homens e uruk-hais iam tombando pelo caminho. Todavia, os valentes aventureiros já estavam nos limites de suas forças. Como afastaram-se uns dos outros para liquidar com os últimos homens e uruk-hais que resistiam, perderam rapidamente a vitalidade. Jani, que gastara mais energia devido a bebedeira, se jogou com sua última resistência em cima de um forte homem e cortou-lhe a cabeça.

Porém, sua fraqueza unida com seu estado mental alterado, fez com que tombasse ao lado de seu opositor esperando o golpe de um uruk-hai que não tardou a vir. Viu a lâmina de seu agressor se aproximando, mas não tinha forças para empunhar sua espada ou rolar para o lado desviando. A lâmina se aproximava rapidamente, e em um último momento, esta desviara o trajeto, pois fora atingida por uma flecha. Erguendo um pouco a cabeça, Jani viu Elroir armando o arco de novo e trespassando o coração do uruk-hai com outra.

Não muito longe dali, Beringel desenterrava sua adaga do corpo de um forte homem e saltava para cima de um segundo. Mas também estava cansado, e ao girar, torceu o pé e caiu com força no chão. Lukian percebendo que um uruk-hai perseguira Beringel na queda, lançou sua adaga recurvada e mirou no peito deste, porém falhara não atingindo o local desejado, acertando-o no ombro. O uruk-hai ainda mais enfurecido pegara Beringel, desferindo pontapés no clérigo. O jovem mago, desesperado por ter errado a mira, se aproximou e lançou uma poderosa magia de ataque, Esfera Quântica. O corpo do uruk-hai se distorceu em uma esfera de luz e caiu morto no chão.

Todavia, Lukian já se encontrava em completa exaustão, por estar a muito tempo em andanças e lutando sem armas adequadas, assim ficou prostrado sem energias para continuar a combater.

Sophos tentava se curar, ao mesmo tempo que se defendia de um pequeno, mas valente Orc. Com o resquício de energia que lhe sobrava, lançou-se a frente desferindo uma cabeçada na barriga de seu opositor, que caiu sem fôlego no chão. Notando que estava perdendo o equilíbrio, o jovem clérigo apoiou toda sua força na pequena espada que empunhava, e mirando na garganta do Orc, deixou-se tombar, decepando o pescoço do inimigo.

Elroir lutava com tudo que tinha contra 3 uruk-hais, e não sabia onde estava a pequena mulher guerreira. Teria sido ilusão? Girando e chutando, golpeando com sua espada dourada, conseguiu matar um dos uruk-hais, cortando-a cabeça deste fora. Não, não fora ilusão, ele realmente tinha visto uma pequena mulher guerreira lutando e entrando no Círculo com eles.

Agora eram dois contra ele, mas já cansado não lutava com desenvoltura. Fora atingido no braço direito, então empunhou a espada dourada com a mão esquerda e assim fez o que sempre fazia em momentos como este, girou sua espada como um molinete tirando fagulhas quando atingiu uma grande roda. Com o impacto, Elroir caiu ao chão. Porém não podia ficar ali, pois os homens ainda estavam vivos. Gritou pela mulher guerreira e não obtendo resposta, golpeou com sua espada em direção do tornozelo de um dos homens que saltou rapidamente, fazendo com que ele errasse o golpe.

Com o canto dos olhos, viu a pequena mulher saltar de uma pilastra em cima de um deles, cortando com sua espada a cabeça do agressor. O outro homem pegara Elroir, mas a guerreira chutou-lhe as pernas por trás desequilibrando e derrubando-o no chão. Todavia, o braço do homem a segurou e este o torceu, fazendo com que ela largasse a espada gritando de dor.

Elroir que se encontrava caído mais a frente, foi se rastejando e quando estava quase alcançando a perna do homem, sentiu algo o machucando por baixo da barriga. Com muita raiva teve que rolar para se livrar do que lhe incomodava. Viu então que se tratava de uma flecha. Agarrou-a com esperança e do jeito que pode mirou na nuca do homem e a lançou. Apesar da debilidade, o elfo sempre tivera boa mira, o que fazia juízo a sua fama. A guerreira sentiu que algo tinha acertado seu oponente, pois o aperto no braço afrouxara-se, deixando espaço suficiente para que ela impulsionasse o corpo para cima, dando uma cabeçada no queixo de seu opositor, quebrando seus dentes.

Elroir aproveitou este momento para chegar mais perto. O homem urrou de dor, mas ainda não estava morto. A mulher, agora mais livre do aperto, tateou desesperada o chão em busca de uma pedra. A sorte pareceu lhe brilhar, pois encontrou-a rapidamente e com toda força bateu na cabeça de seu inimigo finalmente matando-o. Elroir sorriu satisfeito e sorriu para ela. No entanto, a jovem guerreira também estava em seus limites e não tinha forças para se levantar.

Infelizmente ao se movimentar, seu rosto raspou com força no chão, abrindo mais a ferida de sua face. Ela gritou e se largou no chão. O bravo mercenário olhou em volta e o que viu cortou seu coração. Do outro lado da rua, Jani jazia imóvel no chão. Mais a frente, viu Sophos com um serio ferimento em sua face direita, pois durante o combate usava uma máscara que fora golpeada e quebrada pelo comandante uruk-hai, ferindo-o seriamente. Porém seus olhos estavam flamejando com um brilho inquietante, apesar de estar exausto e de joelho apoiado em seu arco.

Elroir, percorrendo com um olhar suplicante para encontrar Beringel, viu-o sentado encolhido gemendo de dor. Lukian estava mais a frente, escorado em uma das pilastras ofegante e desarmado. O outro druida que ainda não conhecia jazia imóvel no chão, mais próximo deles.Assim que conseguiu ver onde estava cada um deles, a lua desapareceu do céu, deixando-os na mais desoladora escuridão.

Elroir não acreditava que tudo tinha sido em vão. Precisava fazer algo, e urgentemente. Lembrou da batalha, de como conhecera Beringel, Jani e Lukian, da bravura de seu jovem irmão Sophos, o susto que levara com a chegada da guerreira e a esperança que teve ao descobrir que havia um druida do lado deles. Não, aquilo não podia terminar assim. Tinha que haver algo. Ele precisava fazer alguma coisa e o mais rápido possível.

E foi assim, visualizando toda a batalha que lembrou que as coisas começaram a sair melhor quando os sete se uniram em Círculo. Respirou fundo e sabendo o que precisava fazer, foi se arrastando até a mulher que estava mais perto. Esta por sorte não se encontrava desacordada, apenas ferida com um feio corte no rosto. Elroir percebeu então o que ela havia feito, devido o barro que se misturava com o sangue em seu rosto. Com uma gentileza que apenas os Elfos possuem, espalhou mais lama na face dela e contou-lhe seu plano e ambos se levantaram se apoiando um no outro e foram cambaleando para junto dos outros.

Todavia, cada um estava em um lugar e a escuridão os sufocava. Não dava para ver mais nada. apesar de possuir um bom senso de direção, este estava abalado devido os últimos acontecimentos. Mesmo assim não podia desistir. Lançou a sorte e foram totalmente esgotados e trôpegos, tentando seguir na direção que o druida se encontrava.

Felizmente conseguiram chegar la, mas o esforço que desprenderam até ele, fez com que tivessem que aguardar para pegar mais fôlego. Sabiam porém, que quanto mais tempo demorassem a chegar perto dos outros, mais chances eles tinham de não sobreviver. Abriu sua bolsa e pegou um cantil, passando para a guerreira e sussurrando para que esta bebesse.

A mulher obedeceu e captando as intenções de Elroir, molhou a mão e passou delicadamente no rosto do Druida que aos poucos acordou. Ajudaram então ele a ficar de pé. O druida sorriu com dificuldade e esboçou um tênue sinal de gratidão. Mas dessa vez a mulher disse-lhe que não tinham tempo. Precisavam chegar até os outros quatro para que unidos tivessem forças. O druida captou rapidamente a intenção dos dois e se uniu a eles.

Assim foram caminhando sem firmeza pela lama. O chão estava repleto de poças d’água e o sangue escorria pelas pedras, dificultando o progresso. Com muita dificuldade chegaram até onde imaginavam estar Jani, mas nada encontraram. Foi a vez de Elroir agir novamente. Começou a rastrear as pistas deixadas pelo combate e conduziu-lhes até onde estava o ferido mais próximo. Para a surpresa de Elroir, encontravam-se mais perto de Beringel do que dos outros.

Então,foram em direção a ele. As pedras escorregadias faziam-lhes tropeçar e até cair, cortando e deixando mais machucados, mas não desistiram. Assim que conseguiram chegar até o clérigo, perceberam que Jani e Lukian também estavam ali. Beringel, apesar de bastante ferido, não sangrara muito nas lutas, tendo apenas torcido o pé. Enquanto Elroir e a pequena mulher lutavam com os homens, ele se aproximou aos pulos de Jani, certificando-se que a ladina estava apenas desacordada. Lukian percebendo o movimento de Beringel, se aproximou também para prestar-lhes ajuda.

Mas ainda faltava seu irmão, o mais importante para ele. Sentiu uma pontada no coração, mas sabia que não podia se entregar a emoção. Precisava encontrar Sophos,e rápido, pois sem ele, sua vida seria um desastre. Sophos era a âncora que segurava sua sanidade o mantendo equilibrado. Com a morte de toda sua familia, Elroir experimentara uma sensação de ódio e revolta.

Graças a Sophos, ele conseguia ainda ter um pouco de compaixão em determinadas situações. Era o único parente que sobrara da batalha entre clãs. Contudo, Elroir não tinha energia suficiente para rastrear e nem tão pouco poderia perder tempo.Os outros sentiram a agonia de Elroir e puseram-se todos a tentar, cada um da sua forma, achar alguma pista de Sophos. Ao irem se apoiando um nos outros, se rastejando pela aquela fétida lama, tropeçaram em um arco. Elroir reconheceu imediatamente a arma preferida de seu irmão.

- Ele jamais largaria este arco. - Disse com uma voz entrecortada. A escuridão era total e ninguém possuía a energia necessária para criar uma chama ou usar infravisão.

De repente ouviram um gemido próximo de onde estavam. Imediatamente os seis se voltaram para o som e tateando o chão conseguiram encontrar Sophos que jazia delirante caído.

- Vamos! Gritou a pequena mulher.

Sem muita demora, ela explicou rapidamente o plano e os seis se dispuseram em Círculo, ajudando Sophos, pois sua debilidade era grande. Deram-se as mãos, e assim que estas se tocaram, a Lua prateada apareceu no céu, e gotas de essências revitalizantes caíram sob eles. Então se sentaram ali mesmo no chão enlameado sentindo o frescor lunar que pairava.

Pouco a pouco, um a um foi se restabelecendo. Jani sorria totalmente restaurada de seus ferimentos e bebedeira no auge de sua agilidade. O pé de Beringel não estava mais torcido. O druida gozava agora de plena vitalidade e de todo seu poder.Lukian encontrava-se mais sagaz que nunca. Sophos sorria docemente com aquela alegria única que só ele possuía, apesar de vir de uma família de mercenários.

Elroir sentia a força correndo por todo seu corpo. E a mulher respirava aliviada ao ver que seus reflexos estavam melhor que nunca, e no lugar do feio corte, agora ficara uma grande cicatriz em sua face esquerda ligando o queixo aos olhos. Fizeram uma fogueira e um a um contou sua história.

Beringel contou a mesma versão que havia contado a Jani, que por sua vez fez o mesmo. Lukian então, sentindo que estava em um ambiente favorável a sua forma de viver, contou que havia ido até o vale do Mago para conseguir uma erva venenosa, pois fora contratado por um Orc da Passagem alta que desejava ter tal planta em seu território. Esse, segundo Lukian, era apenas o primeiro trabalho de tantos que o Orc desejava lhe dar.

Para seu azar, acabou se perdendo, indo parar em Isengard.

- Mas se eu tivesse encontrado a erva, jamais daria para o Orc. Eu faria sim, muitas poções perigosas e as venderia com um preço maior. - Terminou confessando.

Todos deram risadas e aplaudiram o mago pela perspicácia mostrada.

A guerreira se chamava Selkie e não tinha família. Fora encontrada em uma cesta de vime na praça de Bri e criada pelos professores da academia de aventureiros.

Porém, ao sair da academia ao atingir a maior idade, o mundo se revelara amargo e difícil. Muitos a criticavam por não ter família e a consideravam como uma qualquer, sem valor. Selkie no fundo não era uma pessoa má, mas na escola da vida, teve que se virar para conseguir alguma moeda de ouro, e desde cedo se prometeu que um dia seria uma das pessoas mais ricas da Terra Média. Começou então a prestar sórdidos serviços como assassina e hoje atingira a fama de ser uma das mais poderosas assassinas da Terra Média, além de ter juntado uma significante quantia em dinheiro.

Selkie não tinha pena nem dó de ferir seus oponentes, e nem tão pouco guardava remorso.Para ela, o que tinha que ser feito, deveria assim o ser. Possuía sim, alguns amigos, e quanto a estes, ela defendia com o sangue de sua veia, marcando suas inúmeras armas com a carne daqueles que feriam os seus. Fora a Isengard forjar uma espada, pois havia escutado falar de um competente ferreiro que morava ali.

Elroir contou toda sua amarga história. Pertencia a um clã de mercenários que fora atacado por um outro clã. Nesse ataque, todos morreram. Perdeu toda sua família, só ficando ele e Sophos como Representantes da linhagem Aetharnor.

Sophos, agora sorrindo de alegria, explicou como havia se perdido de seu irmão. Na luta, um Orc chegara por trás e o sufocara, impedindo de continuar a lutar. Elroir nesse momento soltou um gemido de pavor.

- Te aquiete Tomatão, aqui estou, são e salvo.

- E como conseguiu se libertar do Orc?

Perguntou o druida que até então não tinha falado.

- Vocês não vão acreditar.....

- Conte logo, Tomatinho, não nos deixe curiosos.

- Ora, eu fiz cócegas nele.

Todos rolaram de rir com a estratégia de Sophos.

- Sim, eu sou um Tomatinho experto!

Risadas agora ecoavam em Isengard, mas de pura alegria, e não de maldade e covardia.Foi a vez do Druida contar sua história.

Seu nome era Nosrefej,e ele ficara sabendo que perto do Vale do Mago haviam Mercenários dispostos a receber quantias em moedas de ouro por qualquer serviço. Como sofria muito dentre seus amigos, por não conseguir fazer determinadas coisas, foi até ali com o intuito de oferecer uma boa quantidade de ouro em troca de aulas. Queria ser um mercenário, e um Mercenário Selvagem. Nesse moMento Elroir se colocou de pé e abrindo os braços falou com uma forte voz.

- Seja bem vindo, Nosrefej! Nós criaremos o clã da Ordem dos Mercenários Selvagens e seremos os mais temidos Mercenários de toda a Terra média!

- E venderemos nossos serviços a troco de muito ouro! gritou Jani.

- Desde cura a poções mágicas. Emendou Beringel.

- E poções envenenadas!- urrou Lukian.

- Assassinaremos em troca de bons pagamentos!- berrou Selkie.

- E seremos sempre unidos defendendo os nossos!- exclamou Nosrefej. - E festejaremos na terra dos tomates! - concluiu Sophos, arrancando de todos sonoras gargalhadas.

E a partir de então, os sete poderosos mercenários começaram a construção de um Clã que passou a se chamar Ordem dos Mercenários Selvagens.

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